Air Celebration, La libération a toujours été là.

        Caos, Graça e retorno do Rei 


Você pode desenvolver sobre o conceito de Caos que você falou há algum tempo?
Uma vez a Verdade revelada, o Caos se torna evidência, há o aparecimento espontâneo e o desaparecimento do nosso campo de percepção. A cada instante tudo é redistribuído, a inteireza do que nós percebemos.
Uma vez que o Caos é vivenciado, a lei de causalidade não pode mais intervir, pois nada tem causa.
Em meio a este mundo, nós estamos habituados a funcionar no modo de ação/reação. Mesmo quando isso é visto, nós tentamos mudá-lo. Mas o próprio fato de mudá-lo é uma reação à observação da ação/reação.
Nós podemos chamar isso de lei de causalidade, isso dá no mesmo. Nós pensamos que o que chega tem uma causa e naturalmente nós procuramos as causas do que nos chega ou nós tentamos antecipar o que poderia chegar.
Viver em meio ao Caos é viver sobre este mundo e não neste mundo. O Caos é a dança da Vida manifestada em sua inteira liberdade.

No entanto, se eu deixo cair um objeto, um copo, por exemplo, ele vai cair e se quebrar...
Por enquanto, a lei de causalidade ainda age sobre este mundo porque os campos de forças, especialmente o mental humano, ainda estão em ação. Mas isso é apenas a ponta do iceberg, uma ilusão do nosso mundo falsificado.

O que devemos fazer para agir de maneira correta em meio a este mundo?

Nada de particular, a ação correta não existe. Há uma diferença entre a ação correta e a ação de Graça. A ação correta é uma construção que vai tentar se apoiar no que sentimos, nas observações e nas análises para alcançar o que parece correto.
A ação de Graça é aplicada pela própria Vida. Ela apenas tem que fazer com que isso pareça correto ou não. Ela se desenrola sem que coloquemos uma única vez a mínima questão, sem que possamos distinguir o objetivo. Aliás, nenhuma questão aparece. A ação acontece entre elas.
Na ação de Graça, o objetivo, a finalidade, é deixado inteiramente para a Luz, isso não nos diz respeito de forma alguma. Por sinal, em meio à ação de Graça não há ninguém agindo, porque ninguém habita este corpo.

Como nasce a ação de Graça, como agir nesse meio tempo?
A ação de Graça emerge quando a personalidade deu o lugar. O Absoluto, o Caos, a ação de Graça, parecem-me intimamente ligados.
Enquanto o lugar não é cedido totalmente, então a personalidade continua conduzindo de uma maneira ou de outra, especialmente pela vontade de bem.
Entretanto, nós temos ações a realizar, então façamos isso. Não é porque uma ação não foi intentada pela Graça que ela não merece ser feita.
Cessemos os julgamentos sobre o mérito de tal ou tal ação. A Luz sabe perfeitamente agenciar o conjunto da Criação. Comecemos por ser amoroso conosco mesmo, depois com todos os nossos irmãos e irmãs humanos olhando com benevolência cada uma das ações empreendidas.
É por vezes perturbador ver como nós julgamos os Seres agindo pela Graça, simplesmente porque isso não corresponde ao que nós pensamos ser uma ação coerente ou digna da Luz. A ação de Graça nos leva a perceber muitas coisas que nós não compreendemos necessariamente o alcance, mas o que emerge é o Amor, mesmo se isso se assemelhar à raiva ou parecer sem sentido.

É engraçado como você fala disso porque eu me perguntava por que vivendo no Absoluto, você realizava as canalizações... Por que não simplesmente divulgar as suas mensagens?

O meu corpo vive sobre este mundo, ele age sobre este mundo, se bem que isso não tem qualquer sentido do ponto de vista do Absoluto. Agir ou não agir em meio a esta ilusão nada muda para quem vive no Absoluto. Divulgar as minhas próprias mensagens ou aquelas de outros Seres é exatamente a mesma coisa. É simplesmente o filtro que muda. Parece-me que a grande riqueza disso é permitir compartilhar diferentes “cores” vibratórias, permitindo assim as diversas ressonâncias. Entretanto, isso não me preocupa e eu não procuro o significado. Eu não procuro tampouco divulgar as mensagens. Os Seres se apresentam neste corpo e apenas o deixam quando a mensagem é gravada. Enquanto eu não faço isso, eu coexisto com esta presença, o que nem sempre é fácil para gerir as tarefas diárias. (risos)

Isso me faz pensar que eu vejo uma ambiguidade nas diferentes mensagens: por que você fala sobre o retorno de Cristo enquanto que o Absoluto parece ser o espaço máximo de liberação?
Não há espaço máximo de liberação, há liberação ou não. Estar meio liberado ou quase liberado, é estar prisioneiro.
A história de Cristo é uma encenação da Grande Alquimia. Poderíamos considerar que o retorno no Absoluto está relacionado com a crucificação/ressurreição: o momento em que a ilusão da existência de uma pessoa é destruída. O que aparece ao mesmo tempo é que jamais há alguém em quaisquer das manifestações humanas com as quais nós interagimos. Há apenas uma outra parte do Grande Todo. Nós estamos então mortos no nível da pessoa e vivendo de toda eternidade. A morte foi vencida.
Mas como eu dizia, não há ninguém em parte alguma, então como é bom falar com o que parecia ser uns e outros que não existem... Ao mesmo tempo, nós temos sempre o encargo de mover este corpo sobre este mundo. Isso não tem qualquer sentido, mas está aí. Então, nós agimos sem nos preocupar com o sentido do que é feito e nós vemos a ação de Graça se revelar. Ela não serve ninguém mais senão a própria Graça.
Há também o momento em que Cristo disse a Maria Madalena: “Não me toque porque eu ainda não ascendi até o meu pai”. Nesse momento nós somos Absoluto, mas no nível deste corpo, nós temos por vezes a sensação de ser esfolado vivo por uma alegria, um amor extremo. A sensação de que algo acontece que necessita de tempo, sem necessariamente saber o quê. Como uma pele que deve ser construída. É uma sensação indescritível...  
A vinda de Cristo corresponde à Alquimia concluída. Eu prefiro falar do retorno do Rei, de Cristo sendo amplamente conotado. O retorno do Rei é a chegada de alguém no interior deste corpo. Nós poderíamos dizer aquele que é reconhecido como sendo alguém cedendo o seu veículo ao Rei que o integra. O termo Rei parece-me apropriado porque se trata do que vem reinar em meio a esta pessoa. Todos nós somos ao mesmo tempo, o Filho, o Pai, o Rei, aquele que está a serviço do Rei, isso não é realmente acessível pelo mental, não esqueçamos que em meio à nossa eternidade, nós somos o Todo, multilocalizado, e que o que está no exterior está no interior. Nós estamos então igualmente multilocalizados em meio ao nosso corpo. A nossa consciência pode viver várias facetas.
Eu faço um pequeno parêntese para especificar que eu também gosto muito da expressão do retorno do Rei, porque a personalidade vai dizer “eu vivo em Cristo” ou “eu sou o Cristo”, mas será mais difícil para ela de dizer “eu sou a serva do Rei”, mesmo nós sendo também o Rei. (risos)

Falar de “servo” dá a entender que ainda há dualidade e não fusão/dissolução da personalidade no Rei que nós somos...

Esta visão é devido ao fato de ver as coisas de maneira separada, é a visão dual da Unidade. Nós somos UM, mas isso não nos impede de experimentar diferentes visões do UM no nível da consciência. Cristo falou do Filho e do Pai. Eu concordo com você que o termo servo é colorido diferentemente, mas Cristo também disse: “Eu desci do céu para fazer, não a minha vontade, mas a vontade d’Aquele que me enviou”.
Isso não o impediu de proclamar: “Eu e meu Pai somos Um”.
Tudo depende do lugar onde se coloca a sua consciência. Você pode colocá-la no Absoluto, no Pai, no Filho, isso não muda em nada o que você é.

Será que o retorno do Rei é acompanhado da vivência vibratória ou da modificação da consciência?
Evidentemente, mas é sempre delicado compartilhar as vivências vibratórias e a modificação da consciência nesse nível, porque as vivências poderiam ser diferentes para uns e outros.
Parece-me que as primícias, no que se refere à minha experiência, foram aumentadas em um enésimo pela Onda da Vida, mas mais potente ainda do que o que havia sido vivenciado até agora. Uma onda de energia possante penetrando pelos pés, passando pelo coração e conectando com o céu bem acima do meu corpo. Isso foi um pouco antes de uma fusão das 3 lareiras, primeiramente o sacro vibrando como nunca depois conectando com o coração ligado ao coração do UM, em seguida a coroa da cabeça conectando, por sua vez, com o coração. Criando uma fogueira no nível do coração que se expandiu sem cessar durante vários dias e terminou por envolver todo o corpo.
O que me interpelou com mais força foi a intensificação das percepções de Alegria e de Amor e a modificação do modo de propagação. A percepção do mundo e da humanidade muda. Descrevê-la me parece ser em vão, eu não vou fazê-lo então. Este encontro com o Amor me permitiu reconhecer o Rei. Esta presença real é tão deliciosa que eu não gostaria de estragar a surpresa àqueles que ainda não vivenciaram isso e que para ali se dirigem a grandes passos.
O último aspecto que eu poderia compartilhar é que uma nova circulação da vibração intervém, com, como único ponto de emissão, o coração do Coração. A irradiação conectando com a terra, com uma sensação próxima daquela da Onda da Vida, mas invertida porque descendo do coração para a terra. Encontramos um fluxo idêntico para cima.
Mas, ainda uma vez, isso é a minha experiência. Ela deve ser tomada com muita cautela porque cada encontro com o Rei é provavelmente diferente.
 
 
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