Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 01 - Meditação 04 - O mental

20/02/2014


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Vamos acomodar-nos, confortavelmente, acolher o que acontece no corpo...
Vamos lembrar-nos de onde estamos em nossa investigação.

Nós chegamos à certeza de que não éramos esse corpo.
Isso faz parte de coisas sólidas sobre as quais se pode apoiar agora.
Nós chegamos a reconhecer que não sabíamos se o mundo era real ou se ele foi criado a partir do zero por nossa consciência, e chegamos à constatação de que não se pode confiar em nossa memória.
E constatamos, também, que, sem a memória, nós não tínhamos acesso ao passado.
Portanto, nós não podemos confiar na memória, não podemos confiar na existência ou não de um passado.

Então, vamos, hoje, investigar o mental, termo que se utiliza frequentemente.
Mas a primeira questão que se pode colocar é: como definir o mental?

Então, alguns poderiam dizer: é a atividade que acontece ao nível do cérebro, e, aí, isso decidiria, diretamente, a questão, uma vez que, o cérebro, sendo uma parte do corpo, e não sendo, nós mesmos, esse corpo, o mental não teria existência no que eu sou.
Ele não poderia ser o que eu sou ou uma parte do que eu sou.

Mas pode-se, também, definir o mental como a sucessão dos pensamentos.
Então, pode-se observar que há o estado comum, no qual os pensamentos não param de funcionar, é um fluxo ininterrupto, e há os momentos nos quais nossa consciência coloca-se no Ser, por exemplo, nos quais o fluxo de pensamentos pode desacelerar.
Há, mesmo, testemunhos de que os pensamentos podem parar, a um dado momento.

Mas vamos, de momento, tentar investigar sobre o que acontece quando os pensamentos são ininterruptos...

Então, como se desenrolam os pensamentos?
Vocês todos puderam observar, em si, que alguns pensamentos podem encadear-se, automaticamente, uns atrás dos outros, da mesma maneira, por vezes, acrescentando emoções ao fluxo de pensamentos...
Admitamos que se esteja em um trabalho no qual as relações possam ser complicadas com os colegas.
Pode-se começar por dizer-se que as relações são complicadas, que é preciso agarrar-se, porque não se deve perder o trabalho; dizer-se, em seguida que, se perdemos o trabalho, não poderemos mais pagar o aluguel e que, por exemplo, ficaremos na rua, que não poderemos mais comer.
Aí está um exemplo grosseiro.

Mas os pensamentos encadeiam-se, uns atrás dos outros e, geralmente, em todo caso para aqueles que vêm mais frequentemente, eles se apresentam a nós da mesma maneira, ou seja, no mesmo fluxo.
Então, a primeira questão que se pode colocar é: se os pensamentos organizam-se, sistematicamente, de maneira automática, então, onde está a inteligência?
Onde está nossa capacidade de discernimento?
Onde está a capacidade do mental para colocar-se, corretamente, no que acontece?

Aí se vê, também, que o mental, para analisar a situação, ou as situações, vai, muito frequentemente, utilizar elementos de memória, que levam a analisar o que acontece agora, em função do que ele armazenou anteriormente.
Por exemplo, se eu me encontro em face de um animal, em função do passado, eu vou ou ficar na posição de proteção, de fuga, ou ir ao encontro do animal...
O que quer dizer que o que dirige, naquele momento, meus pensamentos e minha maneira de agir vem, unicamente, do passado, passado do qual nós não pudemos provar a existência real, apoiando-se em memórias das quais não temos certeza.

Então, aí, pode-se tomar um tempo e pedir ao nosso mental para encontrar uma ideia que não viria nem do passado ligado ao que nós vivemos, nem do passado ligado ao que nos foi inculcado: todas as regras morais, sociais, familiares nas quais nós estivemos colocados.

Há um único instante no qual o mental seja capaz de separar elementos de memória vividos ou inculcados?

Pode ser que, ao nível de seus pensamentos, você tenha pensamentos que cheguem, dizendo: «Ah, talvez isso, talvez aquilo...».
Mas, olhando atentamente, você verá que há, forçosamente, um vestígio, ligado à educação, ligado às regras sociais, ligado ao que você reteve na memória de seu «passado».
Esse é um ponto fundamental, sobre o qual eu os convido a voltar várias vezes para, verdadeiramente, colocarem-se nessa certeza de que não há qualquer pensamento novo que não venha ou de sua memória, ou que seja impulsionado pelo exterior, dir-se-ia, uma memória exterior.
Portanto, não há qualquer pensamento que venha do interior que possa estar fora de seu próprio esquema de pensamento.
O que quer dizer que o novo não pode ser acolhido pelos pensamentos.
O que significa que, se hoje você não pode responder à questão «quem sou eu?», a resposta não poderá, em caso algum, vir de seus pensamentos.
Nenhuma análise o permitirá, porque você pôde observar, por si mesmo, que seus pensamentos não são capazes de analisar o que se apresenta a você com outra coisa que não o passado, outra coisa que não as caixas de memória.

Então, pode haver o pensamento de um desapontamento, ou um pensamento que venha dizer-lhe: «Mas então, como se pode fazer?».
Mas veja que, mesmo isso, é ligado ao passado, ou seja, é ligado à maneira pela qual a busca foi conduzida até agora.

Ao inverso, pode ser que, para alguns, o fluxo de pensamentos pare, o que indica, naquele momento, que o mental compreendeu, reconheceu, por seu próprio funcionamento, que ele não era capaz de ir para onde ele queria ir.
Ele não é capaz de levar o que você é ao reconhecimento do que você é.
E o mental, reconhecendo isso, pode debater-se, ou capitular.

Eu os deixo alguns instantes, para observarem, atentamente, o que acontece em seus pensamentos, e não procurem lutar contra.
Tragam, simplesmente, a pura lógica.
Não se luta, quer-se, simplesmente, trazer a coerência.
O que quer que aconteça, verificamos se há coerência...
Seja vigilante, igualmente, para jamais permanecer demasiado tempo...

Uma vez que a demonstração seja feita, não há mais necessidade de voltar: a demonstração está feita.
Tudo o que nos interessa é chegar a coisas claras, demonstradas, vividas, sobre as quais se possa continuar a avançar em nossa investigação.

Portanto, se chegamos ao mesmo ponto, sabemos, agora, que os pensamentos não são apropriados para encontrar o que eu sou.

Vamos prosseguir, acerca da noção de pensamentos, simplesmente, voltar onde estávamos, quando observamos o fluxo de pensamentos, no qual os pensamentos encadeavam-se, uns nos outros, e tentar encontrar se há um pensamento que venha, sistematicamente, implantar o conjunto do fluxo dos pensamentos.
Porque, uma vez que se tenha observado que nossos pensamentos podiam encadear-se de maneira automática, mesmo em quaisquer pensamentos, pode-se colocar a questão: há um primeiro pensamento que vem desencadear o conjunto do fluxo de pensamentos?

Esse primeiro pensamento, apenas se pode encontrá-lo na sequência de uma parada dos pensamentos, ou seja: o que é que, naquele momento, estimula os pensamentos?
E um dos momentos que todos vivemos, no qual os pensamentos param, é no momento em que se dorme.
Aliás, quando o fluxo de pensamentos é demasiado importante em alguns momentos, tem-se apenas uma vontade, é a de dormir, para que isso pare.

Então, o que acontece quando se sai do sono, que volta a desencadear os pensamentos?
A primeira coisa, o primeiro pensamento que acontece, no momento em que se acorda, é o aparecimento consciente, ou não, do pensamento «eu existo», «eu… sou», seguido de «esse corpo», «nesse mundo».
Aí está o que acontece a cada manhã, a cada despertar: a noção da existência que reaparece, a noção da existência nesse corpo e a noção desse corpo nesse mundo.
E todos os outros pensamentos decorrem daí.

Tendo demonstrado que nós não éramos esse corpo, se estamos suficientemente vigilantes ao acordar, podemos parar, sem lutar, o fluxo de pensamentos no «eu existo».
Porque, no momento em que aparece a noção de «nesse corpo», eu posso puxar o que foi vivido, de maneira lógica, junto: o que eu sou não é ligado a esse corpo, não está nesse corpo.
E, se o que eu sou não é ligado a esse corpo, como o mundo pode implantar-se?
Nós podemos deixar o corpo agir nesse mundo, sem estar nesse corpo, sem ser esse corpo nesse mundo.
E isso nos leva, também, a essa noção de pensamentos permanentes, dos quais se falou no início, que ali havia pensamentos em fluxo permanente, e que, com alguns posicionamentos no Ser, os pensamentos desaceleravam ou, mesmo, desapareciam.
E compreende-se, com o que acontece ao acordar que, se a noção de «eu», de «eu sou esse corpo» desaparece, então, inevitavelmente, o fluxo de pensamentos desacelera.
Isso permite verificar que o que se constata pela manhã aplica-se em outros momentos, quando nós nos extraímos da noção do «eu».

Portanto, dado que pudemos constatar, juntos, que nós não éramos esse corpo, pode-se apenas constatar que o fluxo ininterrupto dos pensamentos, que emerge após a noção da existência de um «eu» e de «eu sou esse corpo» é, forçosamente, errônea.
O fluxo de pensamentos vem apoiar-se, implantar-se, na sequência a um pensamento que nós já verificamos como falso.

Vamos parar aí por hoje.
Tentem sair dessa meditação sem aderir à noção de «eu sou esse corpo».


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