Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 01 - Meditação 05 - As emoções, o medo

21/02/2014


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Então, hoje, vamos continuar a investigação que começamos desde o início da semana, mas vamos mudar um pouco de método, vamos abrir os olhos.
Não se vai, necessariamente, procurar ver os outros, mas vamos colocar o olhar não importa onde, no espaço...

Em um primeiro tempo vamos, já, observar se houve, durante essas primeiras experiências, momentos nos quais eu escapei da investigação.
Esses momentos nos quais eu escapei da investigação puderam manifestar-se de muitas maneiras diferentes; primeiro, colocando-se no Ser e ali se deleitando, e esquecendo-se do objeto da investigação ou, mesmo, não o ouvindo mais.
Então, naquele momento, vivemos supermomentos durante a investigação, mas a investigação não avançou.

Há, também, outras maneiras de não entrar na investigação ou de sair dela, que são, a certo momento, o mental, que reage, colocando, por exemplo, a raiva, ou colocando um pensamento como «eu não vou chegar ali, não é para mim agora».
Mas eu os lembro de que não se tem qualquer lugar onde chegar, que a única coisa que se procura é ver claramente, ver a Verdade.
Portanto, não se procura chegar onde quer que seja, quer-se apenas saber se se pode evoluir em alguma coisa de coerente.

Então vê-se, efetivamente, que, em função da maneira, também, pela qual é guiada a investigação, e pela qual se guia, por si mesmo, a investigação, ter-se-á tendência, efetivamente, para partir no Ser ou partir nos pensamentos.
Vê-se, também que, de certa maneira, pode-se compreender, porque se experimentou, a diferença quando se escuta Sri Nisargadatta.
Ao nível do ritmo, é muito rápido, é cortante; ao nível da potência vocal, é muito forte, tudo isso para manter uma forma de tensão que vai deixar-nos na pessoa, aí, onde se efetua a investigação, ou seja, no mental.
Então, a dificuldade é que, naquele momento, pode-se, efetivamente, colocar-se na resistência.
Mas vê-se que, se a investigação faz-se em algo de mais suave, dado que se está eliminando coisas na pessoa, pode-se, rapidamente, reencontrar-se no Ser e, de repente, perder a investigação.

Portanto, isso nos leva aos dois componentes que vão permitir-nos colocar, de maneira apropriada, a atenção ao nível da investigação, esses dois componentes que são os componentes que se começa a conhecer bem: o Amor e a Sabedoria.
Ser capaz de acolher o que vem no Amor, o que quer que venha, qualquer que seja o pensamento, e a Sabedoria de permanecer na presença da investigação.

Então se, a um dado momento, vocês veem, no interior de si, que há uma maneira de escapar da investigação, a primeira coisa a fazer é recolocar-se nesse posicionamento interior, nesse equilíbrio, e, se vocês partiram, completamente, nos pensamentos que os arrastam a um esquema de resistência, coloquem o Amor.
Se vocês estão nesse banho de Amor tão bem, banhando-se muito, tão afastados que não podem mais investigar, porque está bom demais, transfiram a atenção à Sabedoria.

Portanto, esse equilíbrio ao nível da atenção é primordial para poder continuar a investigação.
E aí, vai-se retomar, rapidamente, porque já se fez a investigação, e se vocês deixaram passar um pouco da investigação, eu os convido a refazê-la, por si mesmos, relendo ou reescutando a investigação.

Mas, quando da primeira investigação, nós havíamos constatado que o que nós somos não podia, de maneira alguma, ser esse corpo.
O que nós somos não é esse corpo.
E, novamente, não se trata, agora, de refazer o caminho.
Demonstrou-se isso, não há mais que voltar a esse assunto.
Se vocês o viveram, se o constataram, por si mesmos, não é mais algo que tenha necessidade de ser comprovado, só seu mental dirá a vocês que é preciso prová-lo de novo.
Mas não há necessidade de comprovar o que foi provado.

Até o presente, vocês têm vivido sem nada provar, aí, vocês vêm provar a si mesmos que o que vocês são não é esse corpo.
O que vocês são não é esse corpo, portanto, não há necessidade de voltar a comprovar: tem-se a demonstração, apoia-se nela para a sequência.

Fomos explorar o que é a consciência, e viu-se que a consciência podia colocar-se nesse corpo, colocar-se no universo inteiro, colocar-se em diferentes lugares, e que a vivência era completamente diferente.
Isso reforça o fato de que nós não somos esse corpo, se ali havia necessidade de reforçá-lo, mas, como já se demonstrou, não se tem necessidade de refazê-lo.

Portanto, constatou-se a presença da consciência.
Naquele momento, não se demonstrou que nós éramos a consciência, constatou-se a presença da consciência.
Em seguida, nós fomos observar a maneira pela qual se organizava a memória, e constatamos que nós não podíamos confiar na memória.
Basta localizar uma falta, ao nível da memória, para saber que a memória é falível e que, de repente, não se pode apoiar nela, uma vez que, como se viu, eventos podem ser criados ao nível da memória.
O próprio fato de contar um evento modifica a memória e, além disso, na memória, integram-se montes de valores que nos são transmitidos pelo conjunto da sociedade, pais etc.

Portanto, viu-se que não se podia confiar na memória e constatou-se que, se não se utilizasse a memória, nós não podíamos observar, não podíamos dar corpo à noção de tempo.
Portanto, nós não sabemos se podemos aderir à noção de tempo ou não.
Em todo caso, nós não temos qualquer meio de validar a existência do tempo nessa fase, não tendo ferramentas para validar sua existência ou não.
E ontem, nós observamos como funcionavam os pensamentos, como eles se enredavam uns aos outros, e como todos os pensamentos apoiam-se apenas no antigo, apenas na memória que não se pode validar, que não se pode tomar como uma verdade..., e no fato de que eram, sistematicamente, os mesmos esquemas que se reproduziam, e que todos os esquemas começavam ao acordar, por essa noção de: «Eu existo, eu sou esse corpo, eu sou esse corpo nesse mundo».
E que, mesmo se vocês não vejam os pensamentos, em todo caso, vocês podem, deles, ver o resultado direto, é que, no momento em que vocês abrem os olhos, vocês estão nesse mundo.

Naquele momento, vocês podem reconduzir-se à primeira verdade que pudemos ver juntos: «Eu não sou esse corpo».
Constatamos, também, em relação aos pensamentos, que, em função, justamente, da presença ou não do pensamento «eu existo» e do pensamento «eu sou esse corpo», os outros pensamentos apareciam ou não.
Como eu pude dizê-lo, é a base de todos os pensamentos e, quando se coloca no Si, o fluxo de pensamentos desacelera.

Portanto, naquele momento, aí onde estamos colocados hoje, nós vimos que nossos pensamentos, tal como ele são organizados, não podem levar-nos para o novo, e que eles são, todos, baseados em um engano: «Eu sou esse corpo».
A partir daí, não se pode dar crédito aos pensamentos, uma vez que, se eu não sou esse corpo, não há mais pensamentos.
Então, em função de onde vocês estão colocados na investigação, cabe a vocês ver se convém fechar os olhos, se convém deixá-los abertos, se convém colocar o Amor ou colocar a Sabedoria.
Ou se vocês estão perfeitamente colocados na investigação.
(um acesso de tosse faz-se ouvir...)

Então, gostaria de aproveitar um pouco essa tosse mágica, antes de retomar o assunto da investigação, apenas para saber se, quando a tosse aparece, será que é o corpo que vive a tosse ou será que há pensamentos («caramba, eu incomodo os outros…»).
O que eu quero dizer com isso é que é uma demonstração de que o corpo pode tossir, e que é o pensamento «eu sou corpo» que vem pôr um desconforto em relação a essa tosse, ou em relação ao que é vivido, a um dado momento.
Se não há o pensamento «eu sou esse corpo», esse corpo pode tossir, o que eu sou continua a não se mover, e eu não estou preocupado pela razão desse corpo tossir.
Esse corpo tosse porque ele tosse.

É essa noção de, sistematicamente, querer pôr um conceito, uma compreensão sobre o que acontece que vem, a um dado momento, colocá-los no passado, uma vez que se viu que os pensamentos são ligados ao passado, que os conceitos são colocados pelos pensamentos.
E, portanto, tentar pôr conceitos, uma compreensão sobre o que está acontecendo é puxar o que vocês vivem ao passado, ou seja, destruir o que é vivido no instante em que vocês o vivem.

No momento em que vocês vivem a Graça, no momento em que vivem o Amor, vocês não procuram pôr a palavra Amor nisso.
É no momento em que vocês não o vivem mais que vocês ali colocam a palavra Amor.
No momento em que vocês o vivem, vocês não procuram defini-lo, vocês se deleitam nele.
Portanto, a cada vez que vocês vejam os pensamentos vir pôr um conceito, lembrem-se de que isso vem do passado, que vocês não sabem se o passado é válido.
Vocês não podem confiar nos elementos do passado e, em todo caso, nada do passado poderá, jamais, levá-los à Liberdade e à noção de quem vocês são, porque, nesses casos, vocês já o saberiam.

Hoje, eu proponho continuar a investigação ao nível da noção de medo ou da noção de emoções.
Vamos concentrar-nos, primeiro, na noção de medo, uma vez que o medo, a um dado momento vem, automaticamente, impedi-los de viver sua Liberdade.
Quando você está no medo, você está, sistematicamente, em uma forma de proteção na qual você é levado pelo fluxo emocional.
Então, pode-se distinguir que há dois tipos de medos.
Há o medo ligado, eu diria, a algo de muito mecânico, o truque clássico: uma pessoa se esconde atrás de um muro, faz «Wou!».
Está-se em um medo mecânico.
É o medo mecânico.
Vamos deixá-lo de lado porque, uma vez que ele se manifesta, ele se dissolve, imediatamente, ou seja, no momento em que você está em um medo mecânico, ele aparece e ele desaparece, imediatamente, sem deixar, necessariamente, um vestígio longo, e ele não o arrebata, indefinidamente.

O medo que se poderia chamar de psicológico, psíquico, ele o arrebata muito mais longe, ou seja, é o medo que vem nutrir-se, auto-nutrir-se sem parar.
Por exemplo, o medo de ferir-se, o medo de não ter os meios de alimentar-se, o medo de não ter os meios de viver, o que nos leva de volta a essa frase: «é preciso bem viver» ou «é preciso ganhar a vida».

Todos esses medos, se olhamos o ponto de partida de todos esses medos, sistematicamente vamos encontrar um fluxo de pensamentos.
Um fluxo de pensamentos que o leva a ter medo sozinho, ou seja, o fluxo de pensamentos coloca-o em um cenário de algo que já foi vivido ou que jamais foi vivido, e o faz crer que isso pode vir.
E o cenário, dado que se viu, em conjunto, que os pensamentos encadeiam-se, sempre, da mesma maneira, se seu mental, se seus pensamentos têm uma tendência a gerar o medo, você a eles é submetido, muito regularmente, uma vez que, de fato, a cada vez que voltar o cenário, ele conduzirá ao medo.
E, naquele momento, observe que nada de sólido vem portar esse medo, vem fazê-lo emergir.
O que vem fazê-lo emergir são elementos automáticos, pensamentos que se apoiam em elementos de memória, vividos ou não.

Eu repito, a questão não é acreditar em mim, a questão é de vê-lo em você, ver como o medo emerge e ver, eu diria, o lado meigo, uma vez que ali põe-se o Amor.
Isso quer dizer que vocês estão habituados a ali resistirem, vocês estão habituados a deixarem-se levar, naquele momento, pelo que é da ordem da violência do medo, e vocês não veem o lado meigo do mental, que lhes repete a mesma cena, enquanto ela faz mover algo em vocês.
Se você vê a maneira pela qual se revela o medo, se você vê o ponto de partida, ali colocando o Amor, o Amor para esse programa automático que não tem força alguma por si mesmo...

A força vem do fato de que a consciência vem fazê-lo crer que tudo isso, você o vive, mas não há força alguma no surgimento desses pensamentos, que o obrigue a vivê-los.
Se você o olha, apenas como testemunha, testemunha que não julga, então, você verá que o medo não pode crescer, o medo apaga-se, instantaneamente.

Para ilustrar isso, eu lhes proponho olhar, não sei se vocês tiveram a oportunidade de ir ali, mas em um jardim de infância (portanto, onde todas as crianças estão amontoadas em muito poucos metros quadrados, com areia, um tobogã para cinquenta... não, eu exagero), mas nesse jardim de infância, olhem o que se brinca.
A um dado momento, as crianças podem, eventualmente, chorar, porque elas caíram do tobogã e machucaram um pouco o traseiro; vão chorar porque receberam um pouco de areia no olho; vão chorar porque o vizinho tomou o ancinho.
Mas se, como adulto, você não se faz arrastar pela onda emocional da criança («ah! Meu pobre querido»), mas você olha o que acontece, você pode apenas constatar que o drama parece, verdadeiramente, verdadeiramente difícil para a criança que o vive, mas que, ao final, nada há de sólido, e é exatamente a mesma coisa para os seus dramas.

Se você olha com o mesmo olhar, pleno de Amor, para a criança, e com o recuo necessário, isso apenas pode ser engraçado, isso pode apenas ser meigo.
E isso se apoia, eu repito, apenas em pensamentos que não têm validade alguma.

Aí está porque, sem parar, no curso da refutação, pode-se dizer: «Eu não sou meus pensamentos», mas, antes de dizê-lo, é preciso vê-lo.
«Eu não sou meus pensamentos, eu não sou minhas emoções».
Antes de dizê-lo, veja-o, porque, quando você o diz sem tê-lo visto, então, você apenas faz um exercício que permite inflar o mental.
Mas se você o viu uma vez, quando você o diz, você se lembra de que você o validou e não joga àquele que não é suas emoções, você não joga àquele que não é esse corpo: você não é esse corpo, você não é suas emoções.
Não refute o que você não tenha validado por si mesmo.
E vê-se, efetivamente, que não há necessidade de um esforço considerável para ir validar a não validade do mental, do corpo, das emoções.
Alguns minutos de investigação bastam, se há suficiente intensidade.

Então, eu tomei a noção do medo, mas é exatamente a mesma coisa para o prazer, por exemplo.
Você se encontra em face de uma flor magnífica, em face da montanha, magnífica, e, naquele momento, acontece algo fora do tempo, em você, no Presente, magnífico, de reconhecimento.
O que é que vem, imediatamente depois?
«É preciso que eu me impregne disso, para poder nutrir-me disso na sequência ou para poder levá-lo comigo».
Como se pudéssemos captar o que foi vivido no presente para poder levá-lo conosco ao futuro.
Eu tento colocar, levar, não sei como, em mim, tudo o que é vivido, guardá-lo em pequenas caixas que se chamam memória (então, eu sei que isso não se mantém, mas nunca se sabe, forçando um pouco...), e eu quero poder trazê-lo no futuro.
E, obviamente, no futuro, eu não reencontro o que foi vivido.
O que eu reencontro é a frustração de não reviver o que foi vivido e o que eu reencontro é o sofrimento.
Há a separação e, com essa defasagem dessa lembrança que não existe, da noção de prazer.

Aí onde há prazer – não confunda alegria profunda, êxtase e prazer – aí onde, a um dado momento, eu tento captar o prazer, estou certo de que nascerá o sofrimento, uma vez que eu tento colocar o prazer, contê-lo, para poder levá-lo comigo, coisa que eu não posso fazer, e eu acabarei, então, por reconhecer que eu não posso fazê-lo e viver, dele, a frustração, o sofrimento.
O que leva, por exemplo, na noção de casal, à noção de prazer, a um dado momento, seguido da noção de ciúmes e de sofrimento, e de raiva.

Portanto, se no momento em que eu vivo algo de magnífico, eu o deixo viver, aparecer e desaparecer, sem tentar puxá-lo ao interior, sem tentar levá-lo comigo, então, eu não estou sujeito ao sofrimento.
Se eu não sou submisso aos pensamentos, se não sou submisso às emoções, portanto, se não sou submisso ao corpo, aparece a possibilidade da Presença, agora, da Liberdade e, se se continua a ser lógico, se há Liberdade, se há Liberação possível, é que, na verdade, a Liberdade já deve estar aí agora.

E acabamos, em algumas etapas, de ver o que vem esconder a Liberdade, fazendo-nos crer em um mito que, até hoje, nós nem sempre pudemos demonstrar.
O que se pôde demonstrar é que nós não éramos nem esse corpo, nem esses pensamentos que são ligados à crença da existência do corpo, nem as emoções que são ligadas à existência dos pensamentos.
É um edifício, um mil folhas e, assim que se retira uma parte, tudo desmorona por si só.

Resta-nos, ainda, saber se existimos por outro lado, mas, em todo caso, nessa fase, abre-se, já, um espaço de Liberdade, abre-se, já, a Liberdade, uma vez que não há dependência alguma ao corpo, porque nós não somos nosso mental, nós não somos nossos pensamentos, porque nós não somos nossas emoções e, nessa fase, pode-se apenas colocar-se no presente, uma vez que nós não pudemos verificar a existência do passado, como não podemos verificar a existência de um futuro.

Obrigado.

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