Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 01 - Meditação 06 - O que resta da pessoa? Ninguém

22/02/2014


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Então, eu refaço um rápido giro de onde estamos nisso.
Vimos que nós não éramos esse corpo; vimos que o mental funcionava, unicamente, com bases do antigo, com a memória; que era um programa automático; que funcionava, sistematicamente, da mesma maneira; que os pensamentos que lançam o programa automático são: «eu existo», «eu sou esse corpo», «eu sou esse corpo nesse mundo».
E tudo isso, dado que é um encadeamento que se controla muito bem, tudo isso aconteceu, frequentemente, antes que se abrisse o primeiro olho.

Vimos que os medos e as emoções eram lançados pelos pensamentos, exceto, poder-se-ia dizer, os medos instintivos que se colocou de lado, de momento, para ir visitar.
E viu-se o que era a consciência.
Não se reconheceu, mas viu-se que nossa consciência podia não mais estar colada ao corpo (colocar-se no Ser, por exemplo) e, naquele momento, não há mais o pensamento «eu sou esse corpo» e, naquele momento, vimos, igualmente, que os pensamentos desaceleravam, que a noção de «eu sou esse corpo, eu existo», a noção de «eu existo» e, em seguida, de «eu sou esse corpo» lança um fluxo de pensamentos (uma vez que é o fluxo, digamos, inicial).
E, quando esse pensamento inicial desaparece, então, o fluxo de pensamentos desacelera ou, mesmo, desaparece.

Então, tem-se, de qualquer forma, necessidade de saber se o que somos é nosso mental (uma vez que não se abordou essa questão), o que significaria, naquele momento, que o que somos é um programa informático.
Mas vê-se, efetivamente, que, se a consciência é deslocada ao Ser, naquele momento, nós não estamos mais no mental e, no entanto, quando você se coloca no Ser, não há a impressão de ter perdido o que quer que seja, ao contrário.
O que você é não é, portanto, dependente do mental, e não está, portanto, colocado no mental.

Mas eu os lembro de que o fluxo de pensamentos começa por «eu existo» e «eu sou esse corpo», e que se demonstrou que não se era esse corpo, vê-se, efetivamente, que, no próprio mental, nos pensamentos, tudo começa por uma contradição com o que se pôde constatar.
Então, se nós não somos esse corpo, se não somos esse mental, não se pode ser as emoções que são lançadas pelo mental.

Então, pode-se dizer: «eu sou a consciência», e isso pode dar-nos essa impressão, uma vez que é a consciência que nos coloca em diferentes lugares.
Mas será que a consciência age?
Não, a consciência observa.
Será que é a consciência que pensa e que fala?
Não, é a consciência que observa o fluxo de pensamentos e que observa as palavras.

Portanto, após todos os nossos esforços, esta semana, observou-se o corpo, observou-se os pensamentos, o mental, observou-se as emoções, observou-se a consciência, e aparece que nós não somos nada disso.

Então, será que você vê outro lugar no qual você pode ser colocado?
Será que você vê outro lugar no qual uma pessoa possa existir?
Será que você vê a existência do ego?
Até o presente, dizia-se: o ego é o mental, o corpo, as emoções, a consciência, misturados.
Quando se olha tudo isso separadamente, vê-se o ego?

Então, aí, gostaria de voltar à primeira descoberta que fizemos esta semana: «eu não sou esse corpo».
Será que a noção de «eu não sou esse corpo» retirou algo no desenvolvimento desse corpo?
Será que suprimiu algo?
Absolutamente nada, a não ser a adesão ao «eu sou esse corpo», mas esse corpo continuou a funcionar, enquanto nós sabíamos, muito bem, que não éramos esse corpo.

Será que o fato de ver que nós não somos esse mental impede os pensamentos de funcionarem?
É claro que não.
Não é o fato de descobrir que nós não somos esse mental que muda a natureza do mental e dos pensamentos.
A natureza do mental era a mesma, antes que se observasse a natureza do mental.
E, como você não vê ninguém no corpo, no mental, nas emoções, mesmo na consciência, como você vê os funcionamentos separados de diferentes aspectos, o fato de vê-lo, será que isso retira algo?
A natureza da consciência estava aí, igualmente, antes que a observássemos.

Nada se vê no interior, ninguém se vê no interior, exceto o pensamento que poderia gerar um medo ligado ao desaparecimento.
Será que o fato de que não haja ninguém no interior retirou algo?
Será que, ao contrário, isso não liberou um espaço, um espaço no qual se havia colocado a pessoa, no qual não se via claramente e no qual, agora, vê-se que nada há?
Será que, se você chega, efetivamente, a essa conclusão, se você o vê, por si mesmo (que nada há, ninguém no interior), será que você pode ver a beleza da construção, a beleza dessa máscara que você tem usado?

Eu os lembro de que a raiz etimológica da «pessoa», é a máscara, e eu os lembro de que, mesmo na linguagem, desde o início, dizem-lhes, em francês, que você é uma pessoa, e que não há ninguém [ndt: em francês, é a mesma palavra, “personne”, que é usada tanto para significar pessoa, como para significar ninguém, dependendo do contexto].
É a mesma palavra, para significar duas noções que vocês acreditaram opostas.
Mesmo nas palavras, isso sempre esteve aí...
E, portanto, ao nível dessa máscara composta do corpo, do mental, das emoções, vê-se que, quando a consciência vem colar-se em cima, quando a consciência vem colar-se no mental, quando a consciência vem colar-se no corpo, ela dá a impressão da existência de uma pessoa.
Aí, onde não havia ninguém, há uma persona-lidade: uma pessoa doente [ndt: foi feito um jogo de palavras que, no francês, dá mais sentido: “personne malade”].

Portanto, se você está aí, quem procura a Liberação?
E, se não há mais ninguém para procurar a Liberação, o que é que acontece?
Não há mais ninguém prisioneiro.
Não há mais ninguém no interior de você que você possa avaliar, não há mais ninguém no interior de você que você possa acusar.
Não há mais ninguém para jogar de vítima, mais ninguém para jogar de juiz.

Progressivamente, vocês colocam todas as máscaras que usaram em circulação, porque vocês pensavam que havia alguém que era proprietário da máscara, e não há ninguém para reivindicar-lhes a propriedade.

E, se vocês puderam percorrer tudo isso, o que é que resta?
A Paz, a Tranquilidade, a Simplicidade.
Não há mais alguém que procura compreender.
O próprio fato de alguém que procurava compreender criava a complexidade.

Então, obviamente, apesar de termos visto tudo isso, pode haver tentativas de volta de uma pessoa, que se diz: «Sim, mas eu sinto muitas coisas em meu corpo…».
O fato de que coisas sejam sentidas no corpo prova que há sensações nesse corpo, prova que há um movimento nesse corpo, unicamente isso.

Então, agora, se você viu que não havia ninguém em você, se o mito dissolveu-se, será que você pode ver alguém no outro?
Vamos ficar aí por hoje...

Uma última coisa...
Se, a um dado momento, as resistências do programa automático aparecem, não há mais alguém para julgar por isso.
O programa automático não pode ser julgado por isso.
Portanto, pode-se, simplesmente, ali colocar o Amor e reconhecer que isso faz parte do movimento normal do programa automático que trabalha para a sobrevivência, no automático.

Portanto, magnífico, muito belo programa, que continua, talvez, a funcionar para tentar salvaguardar o que ele vê, o que se abre e que isso pode ser doloroso.
De qualquer forma, é normal, uma vez que isso se chama a morte da pessoa, o desaparecimento da pessoa.
Não há necessidade de derramar-se em cima: deixa-se o programa automático rodar onde ele está, e permanece-se centrado no que se viu, não no que eu disse, mas no que vocês viram por si mesmos.
É nisso que vocês se apoiam.

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