Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 02 - Meditação 04 - Dissolver o observador

20/03/2014


MP3
    


Nova etapa de nossa investigação.
Já, lembrar-se de onde estamos nisso.
Vimos que a matéria era cheia de vazio ou de espaço, que nós não podíamos, então, acolher a ideia de que a matéria era densa e estática – tal como nós o percebemos – uma vez que, de acordo com os cientistas, ela seria cheia de espaço e de movimento.
Portanto, deixa-se a possibilidade de que a matéria seja densa ou vazia, pouco importa.

Investigou-se sobre os sentidos, viu-se que não se podia confiar nos sentidos.
Isso nos levou a questionar, completamente, a existência real do mundo que se revela, uma vez que esse mundo depende de nossos sentidos.
Se não há mais sentidos, o mundo não é mais percebido ou não é mais revelado.
Não se sabe.

E viu-se que, se não se podia ter certeza da existência desse mundo, nós não podíamos ter certeza da existência desse corpo que nós pensamos ser (que pensávamos ser, porque vimos que não éramos esse corpo).
Vimos, igualmente, que todos os pensamentos eram ligados à noção da existência desse corpo e da existência desse mundo, do qual nós não temos certeza.

Nós vimos que, não sendo esse corpo, não éramos mais, tampouco, os pensamentos, nem as emoções.
Então passamos, talvez, um pouco rapidamente, nesses dois aspectos.
Se resta, em vocês, uma crença de que vocês estão ao nível do mental, de que vocês são seus pensamentos ou de que vocês são as emoções, eu os convido a refazer o que havia sido abordado quando do encontro anterior, para investigar, mais profundamente, sobre esse assunto.

Nós estávamos, portanto, nesse ponto ontem: «o que resta?».
Nós vimos que restava o observador.
Então, eu lhes proponho posicionar-nos nesse observador.
Esse observador que, eu diria, habitualmente, observa o que acontece ao nível do corpo, ao nível da matéria, ao redor desse corpo...

Vamos – simplesmente renunciando observar esse corpo, renunciando observar tudo o que é ligado aos sentidos – aperceber-nos de que o observador pode, eventualmente, posicionar-se em algo de mais amplo, que pode englobar o conjunto da Criação, o universo inteiro.
Mas observem que, naquele momento, o observador continua a aderir a uma noção de um mundo que se desenrola.
Portanto, se não se deixa a possibilidade ao mundo de desenrolar-se (nada mais havendo a observar...), o observador evapora, o que nos indica uma noção importante: o observador está completamente ligado com o que é observado...

A dissolução do mundo leva à dissolução do observador...

Então, talvez, vocês não tenham chegado a esse ponto.
Nesse caso, olhem o que olha o observador e façam a experiência, por um instante, de aceitar dissolver o que observa o observador...
E se o observador dissolve-se... o que resta?...

Se você consegue colocar palavras no que resta após a dissolução do observador, é que o observador voltou... e é que o mental está tentando apropriar-se do que foi vivido.
Dado que o observador é ligado à presença desse mundo, à presença de uma experiência nesse mundo, e dado que tudo isso pode ser dissolvido... aparece que nós não somos, tampouco, o observador, porque se o observador fosse o que nós somos, de toda a eternidade, ele não poderia desaparecer...

Se o observador desaparece, se a experiência desaparece... desaparece, igualmente... a vontade de compreender a experiência, compreender por que isso, por que aquilo desaparece... toda vontade de interpretar o que resta...

Isso nos leva, também, a esse ponto no qual não há mais conceito algum... o que nos leva a essa certeza, a essa vivência... de que a verdade não poderá, jamais, passar por uma compreensão, pela manipulação de pensamentos, de ideias, de conceitos... o que nos leva a deixar tudo isso...

Chega um momento – que, talvez, já esteja aí – no qual reaparece o observador, reaparece a noção de um «eu sou» ou de um «eu»... de uma existência; ... reaparece a noção de um mundo...
Contudo, nós sabemos que tudo o que volta a desenrolar-se – pela simples vinda do observador – não é ligado ao que nós somos... ali compreendido o observador.
E, aí, vamos deixar o mundo desenrolar-se novamente, ficando atentos ao fato de que esse desenrolar não tem necessidade da adesão do que «eu sou de toda a eternidade» e, mesmo a sensação «de ser alguém» desenrola-se sem ter necessidade da adesão «do que eu sou de toda a eternidade»...

Eu posso, agora, olhar o conjunto da criação... como uma miragem... e a noção «de ser alguém» como, simplesmente, uma manifestação no desenrolar dessa miragem.

Então, a personalidade poderia apropriar-se disso, dizendo: «então, se tudo é miragem, se tudo é ilusão, eu posso fazer não importa o quê»..., mas observem, naquele momento... que é a pessoa que se prepara para fazer não importa o quê.
É, portanto, a pessoa que criou um conceito de ilusão ou de miragem e que continua a ali desdobrar-se, como se fosse real... porque, se você permanece nesse acolhimento de: «o que se desenrola pode ser uma ilusão, é uma ilusão», naquele momento não há, de maneira alguma, a necessidade, mesmo, de extrair-se da ilusão, uma vez que apenas há necessidade de extrair-se da ilusão a partir do momento em que se crê presos na ilusão...

Se estamos em uma ilusão, de fato, nós já saímos da ilusão.
A ilusão não funciona mais assim que ela é percebida como uma ilusão, da mesma maneira que um truque de mágica não funciona mais, assim que você tenha visto o truque...

Vamos ficar aí por hoje.
 
 
Guiado por Air.
http://www.air-celebration.org