Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 02 - Meditação 05 - Dissolver "eu existo"

21/03/2014


MP3
    


Vamos retomar a investigação.
Nós sabemos, agora, que não podemos apoiar-nos em nossos sentidos para descobrir a verdade.
Sabemos que, se não utilizamos nossos sentidos, o mundo dissolve-se...
Vimos que não podíamos saber se o mundo revelava-se pela implementação de nossos sentidos ou se nossos sentidos percebiam o mundo já revelado.
Vimos que nosso corpo estava nesse mundo, portanto, não podemos ter certeza do fato de que o corpo seja, efetivamente, real...
Tudo o que se manifesta nesse mundo – sejam nossas palavras, nossos pensamentos – nós não podemos ter a certeza de que tudo isso não seja, simplesmente, uma ilusão.
Vimos, um pouco rapidamente, que nós não éramos nem esse corpo, nem esse mental, nem as emoções, uma vez que esses aspectos fazem parte do mundo manifestado e que, quando se colocava fora dos sentidos, restava, talvez, o observador, mas que o próprio observador desaparecia se nada mais houvesse a observar.

Novamente, eu lhes proponho, para começar essa nova investigação, não deixar os sentidos revelarem-se, ou seja, eu lhes proponho deixar passar tudo o que vem – ligado aos sentidos – e não observar, tampouco, para deixar o observador dissolver-se, igualmente.

Se nós podemos – ainda que apenas um breve instante – deixar dissolver-se tudo, então, pode-se ver que a noção de: «eu existo» pode desaparecer ou, pelo menos, enfraquecer, no sentido em que ela não é mais um motor, não está mais na dianteira da cena.

Naquele momento, pode-se ver, igualmente, que não existe sentimento de separação, que, se a noção «eu existo» desacelera ou desaparece, então, não há mais – na vivência – a separação.
Observem, ainda uma vez, que o desaparecimento de «eu existo», se vocês o vivem, nada retira...

Naquele momento, há a paz...
Isso nos leva a constatar que, quando o observador reaparece, que a pessoa parece reaparecer, então, intervém, instantaneamente, a noção de: «eu existo» e de separação... e intervém, instantaneamente, todo um desenvolvimento de estratégias do mental para proteger esse: «eu existo».
Pode haver, igualmente, emoções que começam nesse sentido...

Mas nós vemos que a noção de: «eu existo» não se apoia em nada de concreto, em nada de certo, em nada que nós possamos afirmar como uma verdade.
Trata-se de uma montanha que se instaura, assim que o observador aparece e assim que volta a revelar-se a noção de uma pessoa.
Sabendo disso vocês podem, então, constatar que, se vocês deixam a pessoa voltar a revelar-se – abrindo os olhos, por exemplo – há, talvez, um momento no qual tudo começa de novo, mas, ao mesmo tempo, a profundidade que estava ali no momento em que o observador havia parado toda atividade, essa profundidade continua ali.
E se, ao mesmo tempo deixando esse mundo desenvolver-se, vocês permanecem nessa profundidade, a noção de «eu existo separado dos outros», a noção de «esse mundo existe» permanece em segundo plano.

Então, talvez, a quantidade de movimentos em torno do corpo e no corpo possam levar – em alguns momentos – essa noção de: «eu existo», a retomar um lugar no primeiro plano... assim que vocês percebam isso, nada os impede de voltar à profundidade... não procurando mais dar sentido ao que se desenrola, não procurando mais implantar estratégia para evitar o que quer que seja.

Naquele momento, quando vocês olham «o outro», vocês não veem mais uma pessoa separada de si – uma vez que a noção de um «eu», de uma existência separada não está mais à frente –, mas vocês veem o desdobramento de um corpo, de um mental, de um observador, de emoções.
Vocês sabem que o que vocês são está além de tudo isso, portanto, vocês sabem, igualmente, que o que poderia ser «o outro» está, necessariamente, além de tudo isso.

Então, por que ofender-se com tal ou tal reação que é apenas a reação de um corpo, de um mental, de um observador?
Por que ir tentar mudar coisas no que vocês não podem ter certeza quanto à existência real?

Será que, agora, vocês querem mudar as coisas ao nível do mental, de seu corpo, do observador, das emoções que atravessam o que vocês creem ser?
Ou será que aparece o fato de que, todo esse tempo que vocês passam a colocar o foco nesses diferentes aspectos, é tempo que vocês não passam a procurar a verdade... e que, além disso, parece que, quanto mais se aproxima dessa verdade e mais vivemos a suavidade e a paz...

Então, eu lhes proponho retomar um tempo para colocar-se fora da percepção dos sentidos, fora do observador, fora dos pensamentos...

Não há esforço a fazer para viver isso.
Há apenas que parar de seguir o conjunto de manifestações que se apresentam...

Observem que isso é facilitado pelo fato de fechar os olhos, mas que a audição continuou ativa, que o tato continuou ativo, que é, simplesmente, o fato de não mais dar sua atenção ao que se desenrola que lhes permite – de certa maneira – extrair-se disso.
É o mesmo para o olhar.
Não é porque os olhos abrem-se de novo que a adesão à manifestação deve voltar a passar ao primeiro plano.

Vamos ficar aí por hoje.

 
Guiado por Air
http://www.air-celebration.org