Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 02 – Meditação 01 – A matéria

17/03/2014


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Então, o objetivo da investigação (o que se deve manter, o tempo todo, no espírito) é que se está na busca da verdade, na busca de coerência.
Já, a investigação apenas pode começar se constatamos que não há coerência.
Se temos certeza do mundo no qual vivemos, se temos certeza da coerência na qual nós nos desenvolvemos, então, não há necessidade de investigar, uma vez que temos certeza de estar na verdade.
Simplesmente, a investigação convida-nos a revisitar coisas que, de início, possam parecer muito básicas e sobre as quais baseamos o conjunto de nossas construções.

Então, quando do último encontro, pudemos ver – entre outros – o que era do corpo e o fato de que se é esse corpo.
Nós visitamos, também, a incoerência permanente entre saber e compreender que nós não somos esse corpo e, ao mesmo tempo, viver como se fôssemos esse corpo.
Se temos, ainda que apenas uma única interrogação – que poderia ser essa – vê-se que há a necessidade de realizar a investigação.
Pode-se, também, ver a necessidade de realizar a investigação ao perceber que todas as ações que se realiza, a cada dia, são baseadas em nada mais do que crenças e hábitos; finalmente, não se sabe quem se é e não se sabe o que se é suposto de fazer dessa existência.

Então, faz-se o movimento, faz-se o barulho sem, mesmo, saber porquê.
Para tentar fazer, eu diria, um barulho adequado, parece importante saber, conhecer esse ponto de partida: «quem somos nós, verdadeiramente e qual é o sentido da existência ou da experiência que se desdobra a cada instante».

Ser capaz de acolher tudo o que vai apresentar-se, sem julgamento, é um ponto fundamental para realizar a investigação.
Quer haja em você um pensamento: «eu não conseguirei, jamais» ou um pensamento: «encontrar a verdade é insuperável ou uma emoção de medo»: apenas constatar que isso faz parte do funcionamento no qual você está colocado até o presente e que, de momento, você não sabe se há coerência desse funcionamento ou não.

Portanto, eu não rejeito o funcionamento no qual eu estive colocado até o presente, eu acolho apenas o fato de que eu não sei se ele é coerente.

Quando se apresenta um pensamento ou uma avaliação que vem julgar a investigação ou que vem julgar algo no exterior, pouco importa, eu não vou, simplesmente, dizer: «ah não! não há necessidade de julgamento ou de avaliação», não, trata-se, simplesmente, de dizer-se: «hoje, eu não sei o que vale meu julgamento, porque eu não sei quem pensa, eu não sei quem eu sou e eu não sei qual é o sentido da inexistência».
Se eu não sei isso, como eu posso avaliar e julgar uma situação?

Não se trata, aqui, de auto-flagelar-se, dizendo-se que se é incapaz, mas, simplesmente, dizer-se: «eu não posso julgar o próprio fato de saber se eu sou legítimo para julgar ou não».
Não se julga, mesmo, o fato de que julgamentos venham (o que vem, deixa-se estar, não se atribui a isso nossa atenção), porque vamos, ao longo da investigação, apenas perguntar da coerência.

Em primeiro lugar, vamos atribuir, a nós mesmos, esse acolhimento incondicional desse «quem é» e de «quem nós cremos ser».
Não se vai emitir o mínimo julgamento sobre o fato de que um dos aspectos do mental, das emoções, do corpo, da consciência, da alma etc. funcionaria com defeito.

Uma vez que nós não sabemos quem nós somos, uma vez que não conhecemos o sentido de todas essas ferramentas, como podemos saber se há mal funcionamento ou não?
É a base de uma investigação, qualquer que seja porque, se antes, mesmo, de começar a investigação, você já tem uma ideia de um suspeito, de um culpado, em algum lugar, você vai, simplesmente, efetuar uma investigação para poder colocar peças dependentes (em face do culpado que você já designou e que poderá chamar-se mental, por exemplo), mas isso não o levará a lugar algum, uma vez que o que você deseja não é ejetar o que quer que seja, o que você deseja é, simplesmente, encontrar a verdade.

Encontrar a verdade necessita, agora, de estar novo, de acolher tudo o que é e ficar tranquilo com tudo o que pode apresentar-se.

Existem dois motores importantes para toda busca na verdade, que são o Amor – a capacidade de acolher, plenamente, tudo o que é – e a sabedoria, que é aquela de não se deixar arrastar a funcionamentos que não se teria verificado.
Há, igualmente, a sabedoria de ver como nós nos posicionamos na investigação, uma vez que, na investigação, quando se vai, verdadeiramente, em profundidade, pode ser que se perca, mesmo, o sentido da investigação, que se vá colocar-se no ser que vive o êxtase e fique-se lá.

Mas será que o que se deseja é viver o êxtase?
Ou será que o que se deseja é viver a verdade?
A sabedoria vem, portanto, simplesmente, dizer, na suavidade: «aí está, eu venho levar ao assunto da investigação».
Em função de você ter muitos pensamentos ou não, você pode, também, fechar os olhos para ir mais à profundidade e, ao contrário, se você vê que está completamente a ponto de partir, você pode, ao contrário, reabrir os olhos, fixar-se em algo na sala, para puxar a consciência à investigação.

A investigação pode basear-se em tudo o que se crê.
Tudo o que se crê, tudo de que se tem certeza pode ser o objeto da investigação.
Pode-se, portanto, a cada instante, dizer-se: «hei! Aí, eu tenho uma crença (eu creio em algo: eu creio que sou um homem, eu creio que sou uma mulher, eu creio que estou sentado em uma poltrona, em uma cadeira...).

Será que eu posso ir mais fundo?
Nós estamos sentados em poltronas?
As poltronas são sólidas, cheias, duras, em madeira ou em tecido?
Será que está cheia?
A primeira coisa que virá pode ser uma forma de evidência de que sim, evidentemente, está cheia, porque, caso contrário, eu não poderia sentar-me em cima dela.
Evidente que é sólida.
Mas, se nos referimos a elementos que nos têm sido aportados pela física quântica, nós sabemos, efetivamente, que o conjunto do que é, materialmente, é composto de moléculas lado a lado com o espaço entre elas.
Nessas moléculas (portanto, na parte cheia) encontram-se átomos, um núcleo e o vazio.
Para dar uma ideia de escala, poder-se-ia ver que, entre o núcleo e o átomo, é como se estivéssemos em um campo de futebol com uma bola de futebol ao centro e uma bola de tênis em um canto do campo de futebol.
Ao menos tem-se a bola de tênis e a bola de futebol que estão cheias.

Mas, se continuamos a ver o que nos trouxe a física quântica, há os prótons e os nêutrons no interior, assim como o espaço e o quark (que, aí, seria pura luz), mas onde está a matéria?
E, obviamente, tudo isso está em movimento.

Portanto, quando eu olho essa mesa, eu vejo um pedaço de madeira estática, mas a física quântica diz-me que, de fato, está cheia de espaço e que está em movimento.

Nessa fase da investigação, não se trata de dizer-se que sim, tudo está vazio ou que tudo é espaço ou que não, tudo está cheio, mas, simplesmente, aí, chega-se a uma das incoerências nas quais se vive, permanentemente: Eu vivo como se tudo estivesse cheio, como se a matéria fosse cheia enquanto, mesmo a ciência – à qual meu mental dá um máximo de crédito – diz-me o contrário.

Pode-se, também, observar nosso corpo.
Ok, a tábua é, talvez, vazia, cheia de espaço, mas, pelo menos, nós temos um corpo que é cheio.
Ora, ele é constituído da mesma maneira, com células, átomos, quark, embora, hoje, na física quântica, dizem-nos que o corpo – nosso corpo – seria composto de 99,999999% de espaço!
Então, para encontrar a matéria, é 0,000001%.
No entanto, eu tenho um corpo físico sólido!

Então, em alguns momentos, para permitir às ciências tradicionais – a ciência tradicional e a física quântica – funcionarem foi-nos proposto o fato de que as leis do infimamente pequeno não eram as mesmas para o que era maior.
Mas o que é maior é constituído de quê?
Se, sob o pretexto de que eu vivo em grande escala, eu reúno 99,999999% de espaço, será que isso conduz à matéria?
Eu não sei, mas há uma dúvida razoável, com certeza!

Então, é claro, percebe-se um corpo cheio e móveis estáticos.
Mas, nessa fase, não vamos dizer que é preciso, vamos apenas dizer-se que, aí, tem-se uma incoerência.
Aí, isso vale a pena ir ver.

Quando você detecta uma incoerência, é aí que é preciso lançar-se, é o oceano no qual é preciso ir lançar-se.
Será que se pode viver com o fato de que nosso corpo seja, talvez, cheio – fisicamente feito de matéria – ou, talvez, principalmente, feito de vazio?
Pode-se viver com ambos, esperando ter uma resposta?
É claro que sim, o que é que isso muda?
O corpo tem funcionado, até o presente, sem problema, sem que se coloque a questão de saber como ele é organizado.
Quando nascemos, nós não tivemos necessidade de pegar um manual para saber como respirar.
Nós não colocamos a questão de saber se os pulmões estavam cheios ou vazios.
Então, sempre nessa suavidade de não julgamento, aponta-se a incoerência e continua-se a aprofundar nessa incoerência.

Isso nos leva a uma frase de Einstein, que disse: «um idiota pode fazer todas as coisas complexas, é preciso um toque de gênio e muita coragem para ir à direção oposta».
Nossa investigação não é uma investigação complicada.
Nossa investigação é muito, muito simples: há coerência ou não há coerência.
Se não há coerência, mesmo se não se tenha encontrado, ainda, resposta coerente, vê-se a incoerência e não se aceita mais ser dirigido na incoerência.

A investigação é apenas um apoio para o funcionamento comum no qual se vai colocar ao sair da investigação.
Como eu já pude dizer, quando do encontro anterior, é quase impossível investigar um dia inteiro.
Para investigar seriamente, é preciso fazê-lo com uma atenção muito forte.
É melhor cinco minutos de investigação muito forte do que uma hora na qual se deixa vagar na incoerência.
Em cinco minutos de investigação pode-se encontrar a incoerência, há, já, a matéria.
Quando se tenha percebido uma incoerência, para nada serve querer ir, imediatamente, mais longe, ou querer recolocar, imediatamente, a coerência.
Quem quer pôr a coerência, naquele momento?
Será preciso, a um dado momento, que se saiba quem procura pôr a coerência e se «quem procura pôr a coerência» está apto a fazê-lo ou não.
Mas, enquanto não se souber «quem procura pôr a coerência», não se pode responder a essa questão.

Portanto, não hesitemos de sair da investigação com apenas uma incoerência desvendada, que nos põe em algo de flutuante: eu não sei o que é a matéria, porque há uma contradição entre o que eu percebo dela – a maneira pela qual eu vivo, de maneira comum – e o que se conhece dela, fisicamente.

Vamos, então, viver durante vinte e quatro horas com isso: «há uma matéria sólida, estática, ou há um grande movimento de espaço?».


 
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