Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 03 – Meditação 01 - Existe uma singularidade? - O mental

07/06/2014


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Neste fim de semana vamos refletir, investigar sobre a noção: «Existe uma singularidade ou tudo é Um?», ou seja, existe algo que seria único, que seria particular, que seria separado, que permitiria dizer: «eu» ou não?
Então, contrariamente às investigações que se pôde fazer até agora, não se vai, de modo algum, inclinar-se sobre a questão «quem sou eu?» ou procurar saber o que eu sou, vamos, simplesmente, permanecer nessa noção de: há uma singularidade, há algo de separado que nos permitiria, então, lançar a busca de um «eu»?
Porque, se não se encontra singularidade, se nada se encontra de separado, naquele momento, inútil procurar o «eu».

O fato de praticar isso no curso de uma meditação (portanto, praticar a investigação), é permitir permanecer, eu diria, focado no tema da meditação.
O princípio da meditação é puxar sua atenção, permanentemente, sobre o tema da meditação (quer seja uma vela, quer seja a respiração ou um tema de investigação, pouco importa), a meditação convida, sempre, a puxar ao tema da meditação.
Se pensamentos vêm perturbar o tema da meditação, deixa-se passar os pensamentos e volta-se ao tema da meditação.

Então, nesta manhã, para começar nosso fim de semana, a proposta é observar os pensamentos, uma vez que, de fato, há um grande filósofo que disse: «eu penso, logo, existo».
Descartes, para não nomeá-lo; pode-se apoiar em seu trabalho, que exprimiria o fato de que a presença de pensamentos atestaria a presença de um pensador, portanto, de uma singularidade.
A proposta é a de ver, por nós mesmos, o que se pensa.

O que se sabe dos pensamentos?
Primeiramente, pode-se dizer que eles desfilam sem parar, assim que nós acordamos, em ritmos mais ou menos elevados, em função de diferentes elementos.
Pode-se ver, também, que os pensamentos, por vezes, sucedem-se sem coerência, uns atrás dos outros, estamos no tema da meditação e, de repente: «ah, tenho sede; ah, estou mal instalado».
São, portanto, muitos pensamentos que vêm, que nada têm a ver com o pensamento precedente, e vive-se, há muito tempo, com uma forma de convicção de que os pensamentos viriam do mental, de que eles emergiriam do mental ou, em todo caso, que bom número de pensamentos emergiriam do mental, o que nos leva, aliás, quando há muitos pensamentos que se apresentam, a dizer: «oh la la! Eu tenho um mental poderoso!».
Então, aí, estamos, simplesmente, de momento, na instalação do tema verdadeiro da meditação no qual se vai mergulhar um pouco mais profundamente agora, porque algumas experiências vêm colocar em dúvida ou questionar, completamente, o fato de que os pensamentos emergiriam do mental.

Talvez vocês conheçam a teoria dita do centésimo macaco, com essa história de macacos, no Japão, que foram estudados durante trinta anos, e na qual os pesquisadores deram a eles batatas doces para comer.
Os macacos gostavam muito das batatas doces, mas, como os pesquisadores jogavam-nas sobre a areia, elas ficavam cheias de sujeiras.
Eles gostavam menos das sujeiras que estavam sobre as batatas.
Um dia, um jovem macaco teve a ideia de lavar a batata na água do rio.
Sua mãe seguiu, a maior parte dos jovens seguiu, os mais velhos resistiram um pouco mais, e continuaram a comer as batatas com as sujeiras.
Isso se fez ao nível de uma ilha, ao longo de vários anos e, de um dia para o outro – mas ao fim de vários anos –, o conjunto de macacos colocou-se a lavar suas batatas antes de comê-las.
E, sobretudo, o que foi mais surpreendente, é que os macacos que viviam em outras ilhas ou no continente colocaram-se, eles também, a lavar as batatas, embora não tivessem visto o macaco fazê-lo.
Isso é muito interessante em relação à observação dos pensamentos, uma vez que se dá conta de que, a um dado momento, um pensamento veio a um macaco, não se sabe como, esse pensamento propagou-se e que, a um dado momento, ele atingiu certo número de macacos e que, de repente, o conjunto de macacos teve a informação e fizeram isso, sem que houvesse aprendizado necessário, sem que houvesse lobby a fazer para que o pensamento fosse aceito, sem que houvesse tomada de poder de um macaco sobre os outros para fazê-los lavar as batatas, portanto, sem tudo o que se conhece sobre «como propagar os pensamentos na humanidade».

No mínimo, isso vem interpelar-nos em relação à noção de pensamento próprio.
Em todo caso, isso vem mostrar-nos que há pensamentos que não nos pertencem e que «se» pensa, portanto, que o «eu» pensa, pensa pensamentos que lhe são enviados pelo conjunto de seus semelhantes.

Há uma historinha mais pessoal que eu acho muito interessante em relação a essa noção de pensamento: Eu tinha um amigo pesquisador em bacteriologia, que passava o tempo a fazer pesquisas e tentava ser o primeiro a fazer descobertas.
Um dia, falávamos de pensamentos que estavam presentes, permanentemente, que estavam disponíveis para a humanidade (em todo caso, essa possibilidade), e ele me diz: «Mas sim, eu sei, sabemos disso, todos, na pesquisa! De fato, quando se começa a fazer pesquisas, começa-se por escrever o relatório para registrar a patente, então, mesmo que nada se tenha encontrado, porque sabe-se que, no momento em que encontrarmos, o conjunto de pesquisadores que estão nesse tema há anos vai encontrá-lo quase ao mesmo tempo».
Portanto, o importante não é quem vai descobri-lo primeiro, ou quem vai captar o pensamento primeiro, o importante é aquele que vai registrá-lo primeiro.
Portanto, aquele que vai começar a fazer sua lição de casa primeiro, escrevendo o relatório antes (para que apenas falte assinar as conclusões de sua pesquisa), registra-o muito mais rapidamente.
Então, isso é muito, muito interessante, porque, aí, isso nos mostra que não há, mesmo, necessidade de uma massa crítica.
Isso quer dizer que se há quatro a cinco pesquisadores no planeta, que pesquisam intensamente, eles vão encontrar a informação ao mesmo tempo.
Portanto, pode-se pensar que, assim que um tiver a informação, então, os outros poderiam recebê-la como por telepatia etc...
Mas pode-se, também, pensar, pode-se, também, perguntar se a informação, de repente, não se torna disponível na inteligência da humanidade e que aqueles que estão conectados a esse pensamento, de repente, a ele têm acesso.

Então, o que é importante em relação à nossa pesquisa é que não se procura, necessariamente, demonstrar que os pensamentos não provêm de um indivíduo, mas que, em todo caso, será que se pode dizer que um indivíduo pensa?
Ou será que «o indivíduo» capta os pensamentos, o que é completamente diferente?
Não se procura o funcionamento preciso dos pensamentos, não se vai perder nisso, vamos, apenas, ver as informações que se tem, aquelas que são dadas, mas aquelas, também, que se conhece por nossa própria rede de pensamentos captados e ver o que se sente em relação a isso.
Porque aí, o que acabamos de ver (e vamos tomar um tempo para, verdadeiramente, observá-lo) leva-nos, em todo caso, a essa conclusão: nós não estamos certos de que «eu penso» existe, mas que «eu» capto pensamentos seria mais exato, se a um dado momento encontra-se uma singularidade que permite dizer: «eu capto».
Em todo caso, pensamentos são captados…

E o que nos interessa não é saber como os pensamentos funcionam, mas saber se o fato de haver pensamentos pode provar-nos que há uma singularidade.
Voltemos ao tema da investigação.
Ora, de momento, aí onde estamos ao nível dos pensamentos (a observação dos pensamentos), isso não nos permite dizer, com certeza, que há uma singularidade, uma individualidade provada pela presença dos pensamentos...

De fato, todos sabemos, por nossas diferentes experiências, que os pensamentos estão disponíveis por diferentes bases.
Então, aí, viu-se massa crítica, poder-se-ia dizer forma de temporalidade de informações que estariam disponíveis para os pesquisadores, mas, de modo mais geral, sabe-se que há pensamentos que vêm de egrégoras como, por exemplo, as egrégoras sociais, familiares etc..., ou seja, modos de funcionamento, modos de pensamentos que vêm do aprendizado ou da rede energética na qual se está colocado.
Há, ainda, pensamentos que parecem provir de inspirações mais levadas pela Alma, o Espírito, que nos levam a formas de impulsos guiados pelo Amor.
Então, o que nos interessa não são esses pensamentos, que não poderiam permitir-nos encontrar a singularidade, mas vamos tentar ver se conseguimos encontrar um pensamento, um único, que viria provar a singularidade.
Se encontrarmos um, talvez, depois, possamos continuar a escavar...

Será que há um pensamento que viria de um «eu» que pensa?
E, aí, de fato, pode ser que se possa dizer que, a priori, tem-se pensamentos muito pessoais como, por exemplo: «tenho fome», que poderiam vir provar, naquele momento, que é o «eu» a singularidade que pensa.
Mas aí percebe-se, também, que há um funcionamento um pouco bizarro no «eu tenho fome», por exemplo: enquanto você almoça à mesma hora, pela manhã, você não tem fome à mesma hora, ao meio dia, se mora na Espanha ou se mora na França.
Portanto, a um dado momento, o «eu tenho fome» está aí, impregnado de um condicionamento ligado ao ritmo de vida do país no qual se está ou do círculo com o qual se vive, do número de refeições que se está habituado a fazer.
Talvez tenha acontecido com você, também, de ter a noção de «eu tenho fome» que aparece em face de um cartaz publicitário ou de uma foto de um prato ou de uma publicidade, pouco importa qual.
Aí percebemos que o «eu tenho fome» não vem, de modo algum, provar a existência de uma singularidade...

Então, pode-se tentar investigar diferentes pensamentos, eu diria, primários, triviais, como, por exemplo, «eu estou cansado», que é um pensamento bastante surpreendente, quando se vai observá-lo com atenção.
Eu não sei se você já fez a experiência disso, mas, na próxima vez que disser «eu estou cansado», que você se sinta cansado, tente olhar onde está a fadiga, tente olhar quem está cansado, qual aspecto está fatigado.
Eu devo dizer que, frequentemente, eu procurei, e jamais encontrei.
E o que é bastante surpreendente é que, muito frequentemente, ao final de algum tempo de investigação, quando estou em face de «eu estou cansado», não unicamente não encontro quem está casado, eu não encontro qual aspecto da pessoa está cansado (se é o corpo físico, se são os pensamentos que estão cansados), porque tudo continua similar, mas, muito frequentemente, de fato, à força de procurar quem está cansado, o cansaço desapareceu.
Portanto, se você encontrar, a um dado momento, «quem está cansado», eu estou interessado na resposta, porque eu a procuro ainda...

Então, nesse ponto, começa-se um pouco aquém de quais são os pensamentos que poderiam provir de uma singularidade e, ao invés disso, descobriu-se que a maior parte dos pensamentos, ou mesmo todos aqueles que se tentou estudar são difundidos por diferentes bases e que o mental vem captá-los e apropriar-se para deles fazer um «eu penso».

Então, o que é interessante, também, aliás, o que nos levaria muito mais longe, é que «eu penso», é, por si só, um pensamento, «eu sou» é, por si só, um pensamento, «eu existo» também...
E, por último, é, verdadeiramente, um pensamento comum ao conjunto da humanidade, ou seja, é um pensamento que todos temos, de maneira idêntica, mas haveria um «eu» que pensa.
É interessante, eu acho, escavar por aí.
Não vamos fazê-lo imediatamente...

Então, para o que nos interessa, pode-se, simplesmente, aí onde estamos nisso (mas resta-nos o fim de semana, então assim vai, temos, ainda, uma chance), pode-se, simplesmente, dizer que, nesse ponto, nós não podemos concluir que a presença dos pensamentos atesta uma singularidade que seria a nossa e, portanto, de um «eu»...

Então, vamos, ainda, tomar o tempo para aprofundar ao nível dos pensamentos, cada um em silêncio, para ver se um de nós teria pensamentos que viriam mostrar-nos que a singularidade pode existir...

E depois, se não for o caso, continuaremos a procurar a presença da singularidade ao nível das emoções, ao nível do corpo..., ao nível do observador.
Eu diria, não importa de onde provém, quer se encontre a singularidade ou não...
Mas que se possa identificá-la de maneira certa, para poder dizer «eu» ou, então, parar de dizer «eu».
Mas não é o fato de dizer que é o problema.

Então, eu lhes proponho continuar no silêncio e – em função de tudo o que foi dito aí – verdadeiramente desafiar o que foi dito, verdadeiramente questionar, duvidar, ir procurar onde haverá contradições, ir procurar onde poderia haver uma singularidade, porque o que nos interessa é, verdadeiramente, ir encontrá-la, não é aderir à crença de que não há.
É preciso, verdadeiramente, que se tenha colocado toda a nossa força na busca da singularidade, qualquer que seja a resposta.
Se não colocamos todas as nossas forças, então, é apenas um jogo que não conduzirá a lugar algum.
Sairemos, talvez, dessa meditação, desse fim de semana, dizendo: a singularidade não existe, mas, no fundo de nós, vimos que a investigação não terá sido feita com força e que se terá deixado zonas cinzentas, diremos: oh! Ela não existe, mas há, de qualquer forma, zonas cinzentas, então, ela deve, talvez, existir, de qualquer forma.
De fato, uma parte de nós continuará a aderir a isso.
Se realizamos a investigação com suficiente força, então, qualquer que seja a resposta, poderemos apoiar-nos nela.
Quer haja uma singularidade ou não, não se tem preferência e não há boa resposta.
A única boa resposta é a verdade...

O que nos interessa é a verdade, não é ter uma resposta que nos convém ou que nos dê a impressão de avançar...

Então, vamos permanecer no silêncio.



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