Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 03 – Meditação 02 – Existe uma singularidade? – O corpo

07/06/2014


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Vamos começar, já, por bem colocar-nos no corpo e ver como nos sentimos.
Se há tensões, simplesmente, colocar-se em acordo com isso e, se estamos bem, se estamos repletos de vibrações, vamos deleitar-nos nela um pouco antes de prosseguir a investigação.
Eu os lembro de que o tema é: «Há uma singularidade?».
Procurou-se ao nível dos pensamentos e, de momento, não se tem certeza em relação à existência de uma singularidade.
Vamos, então, abordar a questão do corpo: será que, ao nível do corpo, pode-se encontrar o que nos permitiria identificar uma singularidade?...

O que eu lhes proponho é voltar um pouco ao fundamento do corpo.
Como esse corpo é concebido, ou seja, pelo encontro, a priori, de um óvulo e de um espermatozoide.
E aí, diz-se: «Ora, para a singularidade, há, já, algo errado!».
Chega-se a 1, enquanto, no início, é 1 + 1.
Isso é bizarro.
É preciso, talvez, que se revise nossa matemática.
Então, o óvulo, o espermatozoide, e isso levaria a 1.
OK, mas isso não é tudo.
De fato, finalmente, digamos que, naquele momento, há uma espécie de alquimia que lança a multiplicação das células, e tudo isso se faz pelo aporte de nutrição pelo sangue, ou diretamente, com o cordão umbilical no ventre da mamãe, ou pela sequência, integrando a nutrição, o que permite ao corpo crescer e funcionar.

Aí, chega-se a outro problema matemático: se tomamos o exemplo de uma maçã, essa maçã que está viva; se eu tomo as sementes dessa maçã, eu as planto.
Eu posso ter uma árvore.
Se há uma árvore, deduz-se que há a vida.
Portanto, a maçã está viva.
Então, se eu como a maçã...
Então, eu era, já, 1+1 = 1 e, se eu como a maçã, então, faço ainda +1, e eu continuo no 1.
De fato, é matemática.
Bom isso!

E aí se vê, efetivamente, que há algo que funciona apenas a partir do momento em que eu defini que o corpo era uma singularidade.
Então, depois, o que esse corpo ingere, eu considero que o corpo integra, mas, se, no início, eu olho o corpo sem defini-lo como uma singularidade, tentando ver onde estaria a singularidade ao nível do corpo, vê-se, efetivamente, que não a vemos, que não a encontramos, uma vez que,de fato, é uma acumulação.
Há uma espécie de fogo de artifício.
Como dizia Sri Nisargadatta: «O corpo nasce do prazer de dois outros seres», e ele cresce pelo aporte de nutrição.
Então, quando acontece a singularidade naquele momento?

Então, têm-se, sempre, nossos sentidos para tranquilizar-nos, porque dizemos, bom, de acordo, isso é a teoria, mas, na prática, vê-se bem que se tem um corpo separado daquele do vizinho.
Há corpos separados: se é o vizinho que come a maçã, não sou eu quem come...

Portanto, a constituição do corpo, no início, não nos permite encontrar a singularidade, mas há, de qualquer forma, uma parte de nós que a constata, que são os sentidos.
Vê-se o próprio corpo, veem-se os outros corpos, e isso nos leva a uma meditação que eu já havia proposto, que é: «Pode-se confiar nos sentidos?» (http://www.air-celebration.org/ewb_pages/a/air-francais-enquete-session_02_-_meditation_02_-_les_sens-6991.php).
Porque, de um ponto de vista muito rápido, percebemos que há um problema no fato de encontrar a singularidade ao nível do corpo e que são os sentidos que nos dão a informação de que há a singularidade.
Então, sem repetir tudo o que se havia percorrido à época, simplesmente, a visão...
«Se eu o vejo, então, forçosamente, é assim».
Para que se tenha uma imagem, digamos, limpa, e uma continuidade dessa imagem, no cinema mudo, eles colocavam dezoito quadros por segundo.
Aí, tem-se a impressão de uma coisa contínua; ora, são dezoito imagens que a faz, mas, quando se vê isso diz-se, efetivamente, que esse movimento é real...

Então, o que é engraçado é que se passou ao cinema moderno, a vinte e quatro quadros por segundo, mas não para a visão, uma vez que, a dezoito quadros por segundo, não se vê problema algum ao nível da imagem: é para o som.
São necessários vinte e quatro quadros por segundo para ter um som contínuo.
É interessante, isso também.
Isso quer dizer que, de fato, tem-se um som que é descontínuo, mas ouve-se de maneira contínua…

E vê-se, também, simplesmente, pelo fato de que nossa visão vê apenas certa frequência, portanto, vê apenas alguns aspectos (finalmente, vê apenas as frequências do mundo ao qual se adere) e, de repente, diz-se: «hei, é forçosamente isso, uma vez que é o que se vê».
De fato, é um pouco a história do ovo e da galinha: será que o mundo é assim porque se vê assim?
Assim que se muda a frequência da visão, vê-se completamente diferente.
No infravermelho, veem-se coisas que não se vê de outro modo...

Então, de repente, isso nos leva à questão: será que eu posso confiar nos sentidos quanto à existência de um corpo separado?
Eu vejo, efetivamente, que, no momento da criação do corpo, a singularidade não está, é, já dois, e não um.
Além disso, sabe-se que nosso corpo é constituído, em 99,99999%, de vazio.
Basicamente, não são 100 %, porque não se sabe o que há no 0,00001%.
Então, nossos sentidos dizem-nos que nosso corpo está cheio, que ele é separado, enquanto se sabe que ele está vazio.
Será que se pode confiar em nossos sentidos no fato de que nosso corpo seria separado?...

De fato, em alguns países, eles não validam mais os testemunhos nas questões de justiça.
Um testemunho ocular não tem mais valor, porque eles se deram conta de que, de fato, tudo era interpretado, transformado, em função da coerência da pessoa que olha.
Então, se queremos ver um corpo separado, talvez o vejamos, mas, se nosso corpo é vazio, o conjunto é vazio em 99,99999%, será que não se pode imaginar que esse vazio é, de fato, o que mantém a Criação?
E o que, por sua vez, poderia parecer unido?...

Então, aí, eu não lhes peço para aderir à ideia de que é assim.
Simplesmente, até agora, talvez, funcionávamos com a ideia de que «Eu tenho um corpo separado» e, sobretudo: «Eu tenho um corpo que é a prova de minha singularidade».
Aí, não se demonstrou que não havia singularidade, simplesmente, demonstrou-se que não se era capaz, de momento, de demonstrar a singularidade, o que já é um grande passo...

Então, eu lhes proponho tomar, já, alguns minutos para tentar observar, em nós, se isso faz sentido...

Sempre observando o corpo, vamos observar um aspecto que é bastante surpreendente, que é que o aspecto físico do corpo (portanto, a visão), é vazio, mas sempre em movimento.
Digamos que há uma frequência de circulação de átomos...

A visão, de fato, nosso espectro de visão – falou-se disso – vem ver certa frequência e o que se ouve é certa frequência...
O que permite, também, colocar-se a questão: Será que tudo não é simplesmente, uma frequência?...

E se os sentidos fossem uma frequência desse corpo, como os sentidos que se utilizam para ver esse mundo?
Isso seria, também, um pouco mais difícil de ver, em todo caso, imaginar uma singularidade...

Haveria uma frequência que eu perceberia.
Sabe-se que há, também, frequências que não são visíveis por nossos sentidos, que estão ao redor do corpo, de maneira mais ampla.
Então, a um dado momento, alguns aspectos de nossos corpos etéreos vão encontrar e misturar-se com outros corpos etéreos.
Se tomamos o exemplo, também, da respiração: a cada momento que eu inspiro o ar, eu o expiro, então, a um dado momento, haveria ar no exterior que se tornaria meu corpo e uma parte que voltaria a sair dele...

Sente-se, efetivamente, que há algo que não se encaixa, em termos de coerência.
Se colocamos todas as informações umas ao final das outras: há uma percepção de um corpo separado que parece clara e, quando se acumula tudo o que se sabe, muito rapidamente, vê-se bem que há algo que não se encaixa, mesmo se não se veja o quê.

Então, gostaria de propor-lhes um pequeno exercício que é, de momento, aceitar a ideia de que esse corpo não existe, verdadeiramente (enfim, isso não lhes concerne) e aceitar que vocês são esse vazio no corpo, que vocês são o vazio que cerca o corpo...

E o conjunto do vazio da Criação...

Para melhor percebê-lo, dá-se conta de que é preciso, durante um tempo, esquecer-se dos sentidos, que, se continuamos a aderir ao que emitem os sentidos, então, isso nos leva ao corpo...

Põem-se os sentidos de lado, dizendo: «É uma informação que se verá mais tarde».
Aí, o que nos interessa é, no que eu sinto em minha vivência: será que eu posso preencher o conjunto do Universo, o conjunto da Criação?...

O que é surpreendente, naquele momento, é a paz, a quietude que está aí...

Talvez você possa reabrir-se aos sentidos, permanecendo colocado nessa imensidão, continuando a ser o vazio que preenche, em 99,99999%, o conjunto da Criação...

Então, vamos reabrir os olhos e permanecer em contacto com essa vivência...

E, de repente, você poderá observar, em si, além das palavras, se há a presença de uma dúvida razoável no fato de que há uma singularidade ao nível do corpo, que o corpo viria demonstrar que há uma singularidade...

Se há uma dúvida, se não há certeza no fato que o corpo atesta uma singularidade, então, é grandemente suficiente para continuar, uma vez que, até agora, sem que se tenha, verdadeiramente, colocado a questão, sempre aderimos ao fato de que havia uma singularidade ao nível do corpo e, aliás, para a pequena história, e acabar em uma nota um pouco mais humorística, é, de qualquer forma, bastante surpreendente que se viva em meio a uma verdade ou uma ilusão – como se quer chamá-la – constituída de 99,99999% de vazio e que se interesse apenas no 0,00001 % de não se sabe o quê, fazendo como se os 99,99999% não fossem importantes, embora toda a ciência diga-nos o contrário.
Em geral, o que é infinitamente pequeno pode-se esquecer, mas trata-se, prioritariamente, o que toma mais lugar, o que é mais importante.
Ora, em nossa vida quotidiana, faz-se exatamente o inverso: ocupa-se apenas do 0,00001% e faz-se tudo para protegê-lo.
Não se sabe o que há ali, mas, em contrapartida, os 99,99999% não nos interessam, não existem.

Vamos ficar aí, de momento.



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