Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 04 – Meditação 01 - "Eu existo"

18/08/2014


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Então, eu lhes proponho instalar-se, confortavelmente, tomar um tempo para ir em si, ver o que acontece... e o que se vê no interior.
Vamos permanecer tranquilos com isso, apenas observar ou, mesmo, deixar...

Então, hoje, vamos começar, verdadeiramente, a pesquisa e, antes de começar essa investigação, eu lhes proponho entrar em contato com a potência que vocês puderam tocar, sentir, no momento em que colocaram seu objetivo, seu desejo para esta Reunião.
E, talvez, vocês puderam, durante a noite, colocar um objetivo muito mais radical e, de repente, com uma energia presente muito mais potente.

Então, se vocês chegaram aí, eu os convido a, efetivamente, ancorar, em vocês, a certeza de que o universo manifestou toda a energia necessária para a realização de seu objetivo; de que, na realidade, isso não depende de vocês, mas que o universo responde... e que, de repente, não há qualquer dúvida possível, não há qualquer possibilidade de não atingir esse objetivo.

E agora vamos entrar, verdadeiramente, na investigação.

Então, tradicionalmente, as investigações passavam mais seu tempo a ver o que nós não éramos e que acreditamos ser, para eliminar tudo isso um por um.
Mas, hoje, eu vou propor-lhes algo de completamente diferente porque, na investigação, ou o que foi chamado, também, a refutação, a um dado momento, há essa possibilidade de confundir o fato de que não haja ninguém no interior, confundir o fato de que nós não somos uma pessoa com o fato de que não existimos: uma vez que não há ninguém, então, você não existe.
Mas, de fato, se você faz isso, se você toma esse atalho, você nega uma evidência enorme: é que, a cada instante, vocês têm certeza de que vocês existem.

Então, eu gostaria que se viesse encontrar essa certeza «eu existo», porque o que nos interessa é encontrar quem nós somos.
E essa certeza «eu existo», se chegamos a subir à fonte dessa certeza, talvez, tenhamos uma chance de encontrar quem nós somos.

E aí, de fato, pode-se, já, tentar ver: será que essa certeza «eu existo» está presente no corpo?...

[silêncio]

E percebemos que não há qualquer noção de «eu existo» no corpo, não há qualquer parte do corpo que venha gritar «eu existo».
Portanto, essa certeza de existir não emana do corpo...

Ao nível dos pensamentos, pode-se observar...
Efetivamente, aí, pode-se reencontrar um pensamento «eu existo»…

E, se vocês observam, precisamente, esse pensamento «eu existo», ou seja, se vocês colocam o testemunho à distância do pensamento «eu existo» para vê-lo, para defini-lo, para ver sua consistência, então, se o observador tem-se à distância do pensamento «eu existo», observa-o, vai-se poder observar diferentes qualidades desse pensamento, talvez, ... diferentes intensidades.
Mas se vocês observam melhor esse pensamento «eu existo», vão perceber que a sensação que a sensação «eu existo», a certeza «eu existo», o «eu» («eu existo»), não está localizado no pensamento «eu existo», mas no observador que observa o pensamento.
Isso quer dizer que, se vocês têm que colocar um «eu», se observam o pensamento, vocês o colocarão ao nível de «eu observo», e vão dizer: «Eu observo o pensamento ‘eu existo’».
Da mesma maneira que, se vocês não têm a possibilidade de observar o pensamento «eu existo», podem observar o corpo, podem observar o que quiserem, vocês verão que a noção do «eu» («eu existo») está localizada no testemunho.

Vocês podem ver, a um dado momento, que se pensamentos chegam para tentar estruturar, memorizar o que é observado, vocês, talvez, passarão do «eu observo» para «eu penso».
Isso quer dizer que a noção do «eu» («eu existo») vai passar, talvez, do observador para aquele que pensa.
Mas se esse é o caso, constatem, simplesmente, que o observador parece, naquele momento, ter desaparecido.
Se o observador está aí, o que há é «eu observo».
Se «eu penso», se o «eu» («eu existo») está localizado em outro lugar, o observador parece ter desaparecido.

Na realidade, se vocês olham, atentamente, ele não desapareceu, ele está, simplesmente, colado ao objeto que se tornou «eu» («eu existo»).
Vocês colaram o observador nos pensamentos e vocês se tornaram aquele que pensa.
O testemunho levou com ele, nos pensamentos, essa noção do «eu existo»…

Isso nos mostra – se voltamos à observação do observador, para bem definir esse observador – o que nos põe, eu diria, na luz, três qualidades do observador: 1) ele observa; 2) ele se projeta no que ele observa, ou ele tem a capacidade de projetar-se no que ele observa (ele pode ou permanecer à distância ou projetar-se nos pensamentos), e 3) ele leva consigo a noção de «eu» («eu existo»), o que significa que logo que haja o «eu existo» que vem na noção «eu sou esse corpo», «eu sou David », «eu penso», «eu tenho fome», o observador veio colocar-se, colar-se no aspecto correspondente.

Então, esse aspecto é verdadeiramente, verdadeiramente fundamental.
Não se contentem com uma pequena experiência.
É preciso, verdadeiramente, eu diria, que essa observação seja sólida, o que faz com que, mesmo quando o observador, quando o testemunho vier reposicionar-se nos pensamentos ou não importa em qual outro lugar, vocês saberão que, na verdade, há duas coisas que estão coladas, uma na outra: o observador que vejo colar-se aos pensamentos.

Se vocês veem isso, se o vivem, poder-se-ia dizer que tudo está consumado.
Todo o resto decorre disso...

Vocês podem, igualmente, observar que o mental vai procurar organizar tudo isso, tudo o que acaba de ser visto, para tentar fazer regras, tentar dizer «ah sim, eu compreendo».
Na realidade, será que, em um único momento, o mental pôde vir ao observador?
Será que, em um único momento, o que foi vivido o foi nos pensamentos?
Então, apenas reconheçam que tudo o que é percebido a partir do observador, tudo o que é percebido a partir do testemunho não poderá ser compreendo, analisado com verdade pelo mental.
Reconheçam que o mental vai procurar fazê-lo e deixem-no fazer, permanecendo, permanecendo colocados no observador, uma vez que ele – o mental – não o concerne, o «eu» («eu existo»)…

E como a noção de «eu» («eu existo») é ligada ao observador, nós sabemos que tudo o que observado não pode ser o que eu sou.
Isso não é um conhecimento, não é algo a saber: é uma evidência, assim que eu estou colocado no observador e que, colocado no observador, eu olho onde está o «eu» («eu existo»).
Vocês são, muitas vezes, frequentemente vocês têm sido colocados no observador, mas a maior parte do tempo, vocês estão colocados no observador para observar o que acontecia, para observar a experiência, sem procurar saber onde estava o «eu» («eu existo») em relação à experiência e ao observador.

Em relação ao que, talvez, vocês pensavam ser antes desse reconhecimento de que o «eu existo» está localizado no observador, vocês pensavam ser uma pessoa, ou seja, ser um corpo que pensa, com emoções, que porta um nome, que nasceu em certa data, que efetua certas ações...
Mas tudo isso, vocês veem que isso pode ser observado, portanto, isso não pode, de maneira alguma, ser a fonte do que vocês são, isso não pode ser, de maneira alguma, a fonte do «eu», da noção do «eu», do «eu existo».

Então, vamos ficar aí por hoje...

Eu os convido, durante o dia, a colocar-se, o mais frequentemente possível, no observador.
Tentem, a cada instante, colocar-se no observador.
Se, a um dado momento, o observador foi interceptado pelos pensamentos, se ele foi colar-se na experiência e, portanto, levou com ele a identificação à experiência, apenas olhem: o que quer que vocês tenham a olhar, o que quer que tenham a constatar é perfeito, uma vez que, de fato, isso levará a uma compreensão cada vez mais nítida do observador ou do sentimento de que o observador tenha desaparecido.

E observem, também, que, em alguns momentos, vocês terão, talvez, essa sensação: « ah, não consigo mais encontrar o observador», «ah, estou completamente colado aos meus pensamentos, completamente identificado aos meus pensamentos».
E, aí, lembrem-se de que o próprio fato de vocês dizerem «eu estou colado aos meus pensamentos» ou o próprio fato que vocês possam dizer-se «eu não encontro mais o observador», o próprio fato de colocar um «eu» em algum lugar - «estou cansado disso, não consigo» – é que você encontrou o observador.

Portanto, não há qualquer dificuldade para saber onde está o observador.
Não se procura domar o observador, apenas reconhecer que ele transporta consigo o «eu» («eu existo») e que ele nos leva a viver o jogo da ilusão.

Aí está, ficamos aí por hoje.




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