Air Celebration, La libération a toujours été là.

Sessão 04 – Meditação 02 - "Eu sou"

19/08/2014


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Vamos começar instalando-nos, confortavelmente, e colocando-nos no observador, observando, à escolha, uma parte do corpo, os pensamentos, pouco importa o que é observado, simplesmente, colocar-se no observador...

Lembrem-se de que vocês não têm que procurar o observador, uma vez que a noção de «eu existo» está localizada no observador, portanto, simplesmente, eu diria, deixar-se ir à observação, sem implicar-se ao nível do que é observado...

E eu lhes proponho, uma vez que vocês estejam colocados no observador, ver se podem pôr-se à distância do observador e, eu diria, observar o observador...

Então, será, talvez, simplesmente, um sentir, uma sensação, mas, efetivamente, estando extraído do observador para observá-lo, leva-os a percepções diferentes, mais sutis do que aquela do observador...

Vocês podem constatar, naquele momento, que há uma paz, uma tranquilidade... e que o que vocês são está colocado nessa paz, nessa tranquilidade...

A noção de existir continua aí..., mas, estando nesse lugar, você pode dizer «eu sou», mas você nada pode acrescentar atrás... não há nem a sensação de ser uma pessoa, nem a sensação de ser um observador, apenas «eu sou»…

Se, a um dado momento, você se encontra, novamente, projetado em uma pessoa, deixe-se levar de volta à fonte do «eu sou», simplesmente porque o que você é pode, eu diria mesmo, está permanentemente presente, esse «eu sou» está permanentemente presente.
Sem o «eu sou», você não pode observar, você não pode ser uma pessoa.
E aí se vê que o «eu sou» é, eu diria, Verdade, enquanto «eu sou isso» ou «eu sou aquilo», é uma redução do que eu sou.
É um pouco como pôr uma máscara ou projetar uma imagem para fazer-se crer que nós somos essa imagem...

Se você está solidamente no «eu sou», pode localizar alguns marcadores: a paz, a tranquilidade, como se disse há pouco... o desaparecimento da sensação de ser uma pessoa.
Você pode ter uma modificação das percepções ao nível do corpo e, igualmente, visuais.

Se você se sente solidamente no «eu sou», você pode tentar abrir os olhos... e constatar que a visão está como que turva, como panorâmica... Se esse não é o caso quando você abre os olhos, volte a fechá-los e permaneça na profundeza do «eu sou»…

Quando você está colocado no «eu sou» e a sensação de ser uma pessoa tenha desaparecido, então, você apenas pode reconhecer, vivendo-o profundamente, que o que você chamava os outros, as outras pessoas, desapareceram, igualmente.
Há, sempre, corpos, funcionamentos, mas o que você vê é «eu sou», quer você chamem a isso «eu sou», o «Si», o «Um», pouco importa.
A maneira pela qual você se reconhece é exatamente a mesma que a maneira pela qual você reconhece o que, até agora, eram os outros.
Esse não é um processo mental, é um puro sentir, um reconhecimento direto: você é... ao fim da ilusão de ser uma pessoa, ninguém em você, e ninguém alhures...

[silêncio]

Você pode, progressivamente e à medida que o «eu sou» reforça-se, ou melhor, que seu sentido do «eu sou» reforça-se, você pode constatar que há uma forte expansão... uma expansão que lhe permite, talvez, englobar o conjunto da Criação...

Talvez você possa reconhecer que o «eu sou» que é a fonte de seu sentimento «eu existo» está, igualmente, na origem do conjunto da Criação, que tudo está no «eu sou», que tudo é «eu sou», na totalidade...

Isso pode levá-lo a reconhecer que você é a totalidade do mundo, e que você não pode mais fazer diferença entre você e o mundo, ou você no mundo...

Então, vamos ficar aí por hoje.
Suavemente, vocês vão abrir os olhos, permanecendo solidamente no «eu sou».
E acolhendo o conjunto do que é percebido no «eu sou», não há necessidade de esquecer-se do «eu sou» para poder, novamente, funcionar no corpo.
O corpo é uma emanação de «eu sou», o conjunto do mundo é uma emanação de «eu sou».

Eu atraio, simplesmente, sua atenção ao fato de que, a um momento ou em outro – talvez já interveio – o mental vai procurar recuperar essa vivência, e você tem a escolha, naquele momento, de segui-lo, deixando voltar a emergir o sentido de ser uma pessoa, ou você tem a possibilidade de deixar fazer.
Qual poderia, efetivamente, ser o sentido de tentar catalogar, definir o que o que você é?...
E é provável que, nos tempos que vêm, haja momentos nos quais o sentido «eu existo» vai reaparecer na pessoa, é aí que sua vigilância é importante.

Você tem duas maneiras de viver as experiências que lhe são propostas a cada instante: ou vivendo-as na pessoa, tentando favorecer algumas em relação a outras, ou vivendo-as como uma graça que lhe é dada a cada momento para verificar seu posicionamento: você é ou você carregou nas costas do que você é uma pessoa?
Você tem carregado um nome, um corpo, uma história?
E a Graça virá, sistematicamente, permitir-lhe, eu diria, verificar, validar com você que, simplesmente, você é, e apresentará a você, sistematicamente, os assuntos aos quais você adere, até o momento em que você terá, simplesmente, «eu sou».



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