Air Celebration, La libération a toujours été là.

A tristeza - 5:50 (19/02/2014)



    
Questão: Você diz que pode ser salutar encontrar a raiva, porque ela mostra que se fez a investigação com precisão e exatidão.
Mas o que eu encontro, desde o início desta semana, aqui, é uma tristeza incomensurável com, ao mesmo tempo, um amor do qual não posso falar.
Isso me perturba e eu não consigo mais olhar isso, ali colocar a verdade.
Eu não sei, mesmo, o que eu olho.


Air: Você tentou mergulhar nessa tristeza, ver o que havia por trás dela?

Q.: Parece-me que, por trás, há, verdadeiramente, todo um amor, tão imenso, que eu não me permito, mas não tenho certeza, e creio que é por isso que estou triste.
É confuso... Eu não tomei o tempo...

Air: É difícil falar do que há por trás da tristeza, mas se ela é incomensurável – se retomo suas palavras –, quer dizer que não há origem para essa tristeza, que ela é sem fim e algo tão forte como o Amor, de fato, muito vago.

Eu vou voltar a uma história pessoal que foi aquela desse corpo e dessa pessoa no corpo, antes de ver que nada mais havia.

Desde sempre, havia essa tristeza sem fim, que não me impedia de viver feliz, por outro lado, mas que, efetivamente, assim que eu a experimentava...
E a cada vez que eu mergulhava no fundo dessa tristeza, eu nada via.
Muitas pessoas diziam-me que isso não estava bem ou que era preciso encontrar, ou isso deve ser um truque com a humanidade etc.
Ainda hoje, eu continuo sem saber o que havia por trás dessa tristeza sem fim, e é verdade que eu oscilava entre êxtases muito potentes e, depois, eu voltava e podia voltar a tocar essa tristeza.
Essa tristeza era o motor da busca, de certa maneira, ela me dizia: «mesmo se você viva os estados os mais mágicos, é impossível aceitar esse sofrimento – meu próprio sofrimento e aquele da humanidade – é impossível deixá-lo, impossível».

Esse sofrimento era o motor para ir procurar a verdade.
E eu havia dito que isso me levava a esse ponto, no qual eu queria desaparecer, completamente, para não mais estar em face dessa tristeza.
Desaparecer, completamente, atravessar o néant, para ver a fonte de toda a vida ou não, ou seja, aceitar o fato de permanecer no néant, mas mais valia o néant do que essa tristeza.
Ela desapareceu, automaticamente, a partir do momento em que a consciência parou de colar-se.

Então, qual é a sua tristeza?
Eu não sei, mas, dado o que você descreve, isso me lembra esse movimento que leva essa força ao interior porque, como vocês podem estar prontos a dissolver-se, a desaparecer, se não são nutridos por essa tristeza profunda?
Para aceitar tudo perder é preciso que haja, de qualquer forma, certa motivação.
Se vocês vivem uma vida genial, do ponto de vista da experiência (enfim, não sei como é possível, enquanto não se está na Graça), na qual não há sofrimento, como vocês querem ter vontade e a ideia de ir procurar a Verdade, mesmo prontos a dissolver tudo o que vocês são?
É preciso que haja um motor para isso.

Q: E é um excelente motor.

Air: Eu penso que sim.




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