Air Celebration, La libération a toujours été là.

Abandono - 5:09 (24/01/2014)



    


Q: Eu queria saber: se eu abandono as minhas crenças, as minhas certezas e os meus medos, será que isso pode permitir-me aceder ao que eu sou ou não?


A: Então, há a resposta que eu gostaria de gritar para você, que: «Sim!».
E depois há a outra resposta, que é que não precisa, sobretudo, acreditar em mim porque, se a um dado momento, você acredita em mim: você remete a uma crença.
Portanto, não há mais abandono.

Não acredite em mim, sobretudo.
Meu testemunho é esse: Uma vez que você abandona tudo – isso não quer dizer não assumir suas responsabilidades no fluxo da vida –, mas, uma vez que se abandona todo apego a um resultado, como, uma vez que se abandona todo apego ao que quer que seja, de fato, uma vez que se está vazio de crenças... é um pouco como se houvesse uma água na qual houvesse muitas folhas mortas por cima...

O que é uma crença?
Uma crença é algo que é oriundo ou de uma experiência que se colocou em uma caixa de memória, ou que se tenha tomado de outro alguém, mas isso dá no mesmo, é ainda menos vivo, porque não se viveu aquilo.
Na realidade, as crenças não estão mais vivas.
Portanto, a imagem de folhas mortas, é, verdadeiramente, isso.
São coisas que vêm à superfície, que estão mortas e vamos ter a impressão de que o mundo é isso.
Mas, quando se separa um pouco as folhas na superfície da água, vê-se a água clara por baixo.
E é exatamente o que acontece no momento em que a verdade aparece.
Ou seja, não é a busca da verdade que nos leva à verdade (enfim, de certa maneira, se porque, buscando a verdade, tenta-se encontrar a maneira de fazê-lo), não é focando nisso, com força, na verdade: é eliminando o que não é a verdade e o que não se pode verificar.

Quando não se pode verificar algo, pode-se, muito bem, dizer: «ok, eu não sei se isso é válido ou não, portanto, eu o ponho de lado».
Eu não o rejeito.
Por exemplo: será que eu sou esse corpo?
Não, mas eu concordo com essa crença desde que sou muito pequeno, enquanto eu não pude verificá-la, então, eu a coloco de lado e aceito a ideia de que haja alguém ou de que não haja ninguém.
E depois veremos.
Deixa-se apenas a flexibilidade.
Não se desfaz de nada.

Abandonar é, sobretudo, não fazer ato de violência com o que quer que seja.
É, ao contrário, um ato de Amor.
É: «eu ofereço colocar-me a nu, e ver-se-á o que sai disso».
E, infelizmente, o que daí sai é o que não se pode partilhar, porque o que sai está em cada um.
É cada um que vê revelar-se a verdade em si.
A única coisa que se pode partilhar é se se coloca a nu diante da vida, se se aceita que isso se move (porque a vida, ela se move), se se aceita que há momentos difíceis, ao mesmo tempo permanecendo no abandono, nesse fluxo, deixando-se levar...
Sim, então, aparece a Verdade.
 
 
Proposto por Air.
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