Air Celebration, La libération a toujours été là.

Jogo da consciência - 17:19 (22/02/2014)



    
Questão: Uma pequena questão mecânica: Há pouco, você disse que sua consciência ia e voltava no corpo.
Para onde volta a ir sua consciência, nesse caso?


Air: A partir do momento em que ela é reconhecida, a consciência pode vir a esse corpo sem, necessariamente, a ele colar-se, e ela pode voltar a sair dele e recolocar-se no ser, por exemplo, ou na a-consciência, ou seja, não estar colada em lugar algum.
Simplesmente, para comunicar-se, é um pouco mais fácil quando se puxa a consciência a esse corpo, mas, ao mesmo tempo, é perfeitamente possível que a consciência não esteja colada em lugar algum (é, portanto, possível, estar colocado na a-consciência), e que a consciência coloque-se no ser ou na pessoa.
Isso quer dizer que se pode viver as diferentes localizações sem qualquer problema, a partir do momento em que se tenha reconhecido a consciência.

É o fato de não ter reconhecido a consciência que nos faz crer que a consciência coloca-se em um único lugar.
Naquele momento, como é possível conceber que intervenientes externos possam vir colocar-se nesse corpo, em canalização, e estarem, ao mesmo tempo, em canalização em outro lugar do planeta?
E, por exemplo, sempre ao mesmo tempo, estar no círculo dos Melquisedeques?
Porque a consciência não é mais dependente de uma monolocalização.

Estamos no jogo total.
Pode-se, perfeitamente, estar nesta sala e, ao mesmo tempo, ir visitar não importa qual lugar da criação ou colocar-se para além da criação: na a-consciência.
É o reconhecimento da consciência que permite isso.
É, também, por isso que se tem tendência, por vezes, a colocar-se no ser e a crer que se chegou: chegou-se no ser, o que é muito bom.
Está-se instalado na morada de paz suprema.
A consciência está ali colocada, e isso não vai impedir de funcionar nesse mundo.
Mas a consciência não terá sido, ainda, reconhecida, e não se terá, portanto, a possibilidade de ir à a-consciência, e não se terá a possibilidade de englobar todo o incriado e o criado.

Então, depois, isso pode dar jogos bastante simpáticos ao nível da consciência, mas pode-se dizer: «Si, é bem bonito ir colocar a consciência no universo, mas será que eu não me faço um filme?».
O mental pode dizer-nos isso: «sim, ele conta coisas, é super poético, mas, de fato...».
Mas, de fato, você pode, também, colocar a consciência em outro ser vivo sobre este planeta e verificar a validade disso.

Então, em geral, é mais fácil com animais ou crianças do que com adultos, uma vez que os adultos têm tendência a, efetivamente, tudo trancar (caso contrário, todo mundo receberia todos os intervenientes).
É, efetivamente, porque há um abandono total, uma oferenda do próprio corpo, que os intervenientes podem colocar-se no interior do corpo.

Mas eu posso contar-lhes duas historinhas que não são de relevância considerável, vocês verão:
Por duas vezes, eu projetei minha consciência em outro ser vivo, sem, contudo, dizer-me: «hei, vou fazer o exercício de...» porque, aí, isso quereria dizer que minha consciência está colada em um «eu» que quer fazer a experiência; isso não teria, certamente, funcionado.
Essas coisas são feitas naturalmente.

A primeira produziu-se perto de um galinheiro, em companhia de um amigo que cuidava de galinhas.
Morávamos juntos no mesmo lugar.
Ele vem ver-me, dizendo: «faz dois dias que uma galinha fugiu, ela deve ser comida».
Naquele momento, eu me banhava na a-consciência, permanentemente, e o pensamento vem a mim: «dado que daí, você engloba o conjunto do criado e do incriado, será que você poderia ver a galinha?».
Imediatamente, minha consciência encontrou-se projetada na galinha e eu vi, através dos olhos dela.
Então, eu respondi: «Ah não, a galinha está na oficina».
Fomos para lá e a galinha ali estava.

Na segunda vez, era em uma feira, na qual eu estava com Caroline e Élouen, meu filho (enfim, o filho do corpo de...).
A um dado momento, perdemo-nos.
Eu faço uma vez o giro na feira, depois, um segundo giro, e eu me digo: «mas você está se complicando a vida aí! Você pode, talvez, ir à Caroline e a Élouen».
Eu paro no meio da feira, coloco-me na a-consciência, e encontro-me, instantaneamente, projetado em Élouen.
Eu vejo através dos olhos dele.
Eu reconheço a porta diante da qual ele está, então, eu vou para lá e ali estão eles.

A consciência não é obrigada a posicionar-se, especificamente, em outras dimensões; ela pode posicionar-se em outro lugar, nesse mundo.

Q.: E como você faz isso?
(ndr: explosão de riso)

Air: É preciso reconhecer a consciência.

Q.: Eu compreendo, aí, que tudo isso é apenas um jogo e que tudo o que se faz...
A minha compreensão é, verdadeiramente, intelectual, então, eu compreendo que é preciso que eu reconheça a consciência e, de repente, eu...

Air: Então, o fato de reconhecer que não se é esse corpo, que não se é esse mental faz com que, a cada vez que a consciência vá recolher-se, de maneira forte, a: «eu sou esse corpo, esse mental...» vai-se pedir a coerência.
Então, a cada vez que se pede a coerência, o mental reconhece que não há coerência, e a consciência, igualmente, reconhece que há algo errado.
A consciência quer fazer a experiência, mas, ao mesmo tempo, há um reconhecimento que acontece em diferentes níveis de que há algo errado na montagem.

Naquele momento, você vai reconhecer.
Depois, a um momento, também, descolando a consciência do corpo (daí a importância, a utilidade, de certa maneira, de ir colocar-se no ser) para além do fato que se saiu da noção do «eu» para passar ao «eu sou» há o fato de que a consciência desloca-se.
Mas, se a consciência desloca-se, continua-se habituado a ver onde se está colado, ou seja: «eu sou a pessoa» ou «eu estou no ser», e o que é que aconteceu entre os dois?
Entre os dois houve um momento no qual a consciência não estava colada, no qual ela se descolou da pessoa para ir colar-se no ser.

Para as pessoas que vivem uma EQM, isso pode acontecer por outras coisas.
Quer dizer que, se eu sou projetado fora do corpo, se meu corpo está morto, então, efetivamente, há a possibilidade de reintegrar um corpo – corpo astral, corpo etéreo – e há a possibilidade de ver a consciência flutuar.
O que eu chamo de flutuar, ou seja, a consciência que não está, ainda, colada em algum lugar.
E isso, vocês podem viver a cada vez que há uma mudança de posicionamento de consciência.

O fato de realizar a investigação, de ver o que você não é, isso leva a consciência a descolar-se de onde ela estava colada.
Mas, frequentemente, ela iria colar-se, imediatamente, em outro lugar.
De repente, houve um movimento, mas você não vai reconhecê-lo – é esse o problema – porque o que reconhece, até agora, é a consciência.

Então, se você percebe que há algo de novo, de diferente, não procure, naquele momento, defini-lo, não procure ali colocar a compreensão (porque, naquele momento, você retoma no mental), não procure apropriar-se disso (porque, aí, você recoloca a consciência), aceite nada ser.
Apenas aceitando nada ser é que se pode deixar flutuar a consciência e reconhecê-la.
Enquanto você acredita na existência de que você é alguém, uma pessoa, o ser, então, você não deixa a possibilidade de nada ser.

Eis, também, porque a questão: «quem sou eu» é essencial porque, a cada vez que você vir emergir uma noção de «eu», puxe: «ok, mas quem sofre?».
Porque você deve encontrar o «quem» sofre, se ele existe...!
E, exceto as barreiras do mental para vir dizer-lhe que não há necessidade de investigar, porque é uma evidência, você jamais encontrará nada, jamais.
Você para na barreira do mental, que lhe diz que há alguém, que lhe diz que você não vai ali chegar, que cria um muro que lhe parece intransponível ou que lhe mostra o que parece uma evidência (então, você diz: «sim, eu sou isso»), mas se você avança através do muro, verá que, de fato, o muro não tem consistência alguma e que, por trás não há jamais, jamais, ninguém.

Você pode procurar aquele que sofre, que tem sono, que pensa; você pode procurar quem quiser, você jamais encontrará nada.

Mas não é preciso acreditar em mim porque, se você permanece apenas na crença, você não vai procurá-lo, e essa é uma maneira que utiliza o mental para não atravessar essa espécie de barreira que ele instaura.
Vá ver se há alguém.
Aceitar o próprio fato de que não há ninguém pode ser vivido como mergulhar no nada, como insuportável, mas, naquele momento, coloque-se a questão: «mas o que é insuportável: o fato de que não há ninguém ou perder o mito de uma pessoa?» porque, se o que é insuportável é o fato de que não há ninguém, eu o tranquilizo imediatamente, nada de novo, esse já é o caso agora.

Você nada vai, portanto, perder, dado que não há ninguém para perder o que quer que seja.

Eu me lembro da primeira vez em que, verdadeiramente, constatei que não havia ninguém: eu olhava no interior e não via ninguém; eu procurava, eu me dizia: «onde ele está?»; eu o procurava e nada encontrava.
Eu reencontro uma amiga no mercado, com quem partilhava tudo o que se vivia.
Eu lhe digo: «é uma coisa de louco, você já olhou no interior?, não há ninguém!»
Mas isso nada mudava, para mim era leve e, depois, ela me disse: «ohh! ... você sai de onde?».
Um mês ou dois depois, ela vem ver-me e diz-me: «sim, eu olhei, não há ninguém!».

Aí está, vá ver, você nada tem a perder se for ver.
É apenas engraçado.
Você olha no interior e diz-se: «ah sim, eu não estou no corpo, sim, eu não estou no mental, sim, eu não sou minhas emoções, sim, eu não sou minha consciência, mas eu continuo alguém, ok, mas onde?»

(Ndr: explosão de riso!)



Proposto por Air
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