Air Celebration, La libération a toujours été là.

Questões e transparência - 5:32 (18/02/2014)



    
Questão: De um lado, você nos diz – pelo que eu pude compreender – para não se colocar questões e, de outro lado, você nos instala em um cinema para que se faça perguntas a você.

Air: Eu falei de tudo abandonar, em contrapartida, há uma estratégia do mental e da pessoa – que é uma proteção – que é fingir abandonar, a cada vez que uma questão vem, dizendo: «isso não é grave, está tudo bem», mas deixando-a viver.

O abandono não é deixar viver as questões, deixar o mental ficar à frente, pensando que, se eu não exprimo as questões, elas acabarão por desaparecer.
As questões estão aí, vivas em você, ou não.
Se elas estão vivas, é inútil renunciar a fazê-las ou tentar colocá-las de lado, sob o pretexto de que tudo isso é o mental.
Mas quem é que lhe diz que tudo isso é o mental?
É o mental.
É ele que lhe diz: «ah! É o mental, esqueça.»
Hei, eu não compreendi... é preciso que eu siga o quê: o mental que coloca a questão ou o mental que diz esqueça, é uma questão?

Veja como é sutil.
De fato, todos os jogos de papel que você faz no interior são autoalimentados pelo mental, que lhe faz o esquete.
Então, no final, você segue quem?
O mental.
Você segue o mental, fazendo: «hum... é preciso que eu me coloque no silêncio, hum... é aí que se encontra o abandono, é no silêncio», e você segue o mental, quando você faz as perguntas.

Mas, há um momento no qual você está na transparência com seu posicionamento: é o momento no qual você faz a pergunta.
E, quando você diz: «hum... é preciso que eu esteja na transparência, Hum... eu sou transparente, porque não deixo mais fazer minhas perguntas...», naquele momento, você não está na transparência, porque você está no mental, que o faz crer que você está no silêncio.

O mental é super forte para fazê-lo crer que você está colocado onde você não está, porque, se você soubesse onde você está colocado, de fato, isso não se manteria mais.
O edifício mantém-se apenas porque você não sabe onde você está colocado; daí essa noção importante da transparência, que o convida a não procurar ser outra coisa que não o que você é, agora.
Quando eu digo não procurar ser outra coisa é para utilizar as palavras em relação com o que se vive.
É dizer: ok, sabe-se que nós não somos esse corpo – vá, eu creio nisso agora –, mas isso muda o quê?
Eu sou esse corpo que crê que não é esse corpo...
Uma espécie de esquizofrenia permanente do mental o faz desempenhar um papel, que o faz crer que, de repente, você não está posicionado no mental, na pessoa: Se eu não digo, jamais, uma palavra, se eu tomo esse olhar enigmático, então, normalmente, em vinte e um dias eu estou liberado.

Eu volto a essa noção fundamental: O ponto de partida de toda verdadeira busca é a honestidade de onde estou, porque nada há de melhor do que saber onde eu estou colocado.
Não há mais belo presente do que isso, e não há qualquer posicionamento que seja melhor do que outro.
Se eu vivo o êxtase ou se vivo a raiva, o que é que faz a diferença entre os dois?
O posicionamento.
Mas o que é que faz com que haja uma valorização diferente entre eles?
O julgamento, portanto, você está na pessoa.


Proposto por Air
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