Air Celebration, La libération a toujours été là.

Simplicidade (21/02/2014)



    


Questão: Essa questão concerne à consciência.
Para alguém que jamais viveu o descolamento de consciência, o que eu penso não ter vivido, porque tive contatos com uma árvore, flores, um animal, mas, se sou honesta, são mais sentires e emoções.
Eu jamais tive a sensação de que minha consciência colava na árvore e que, de repente, meus braços transformar-se-iam em galhos etc...


Air: Quem disse isso?

Q: Mas eu jamais senti estar no coração da árvore.
Eu senti coisas, mas eu ponho isso na conta de emoções humanas...

Air: Mas quem põe isso na conta das emoções?

Q: O «eu» que vive em si.

Air: Os pensamentos e o mental.
Há apenas isso que pode dizê-lo.
O corpo não é responsável por remeter isso a uma análise.

Q: Sim, mas é o corpo que sente.

Air: O corpo sente, mas ele não coloca em caixas de memória.
Ele sente, ele vive uma troca com a árvore.
Essa troca será avaliada pelo mental.
Será que o mental vive a troca com a árvore?
Não, ele não a vive.
O mental a avalia em função do que é percebido ao nível do corpo e do que ele já conhece, porque ele apenas sabe avaliar em relação ao que ele já conhece.

Como você quer reconhecer uma fusão se, a um dado momento, o mental vem analisar o que acontece?
Se o mental jamais viveu uma fusão – e é, forçosamente, o caso – ele não poderá, jamais, reconhecer a fusão.
O mental não poderá, jamais, reconhecer nada que ultrapasse sua capacidade de análise.
Ele virá colocá-lo em um caso do que ele conhece, ou porque tenha vivido, ou porque tenha ouvido falar disso.
Por exemplo: você ouviu falar do fato de estar em comunhão com uma árvore, você vive uma troca com a árvore e chama a isso de comunhão, porque você ouviu que se podia comungar com uma árvore e você viveu algo com a árvore.
Ou, então, você se diz: eu apenas senti uma onda de amor ou tal ou tal emoção.
Mas o que poderá sentir seu corpo em relação ao que não é ligado ao corpo?

A consciência não é ligada ao corpo, portanto, você não poderá reconhecer a manifestação da consciência por seu sentir ao nível do corpo.
Você poderá reconhecer que o que você acaba de viver com a árvore, o que você acaba de viver com uma flor, o que você viveu em uma meditação colocou-a em um espaço ou em uma vivência interior e, assim que você qualificar isso, você mata essa vivência interior.
Assim que você ali coloca palavras: acabou, isso não existe mais.

As palavras e a análise que vocês vão colocar em cima disso destroem, sistematicamente, tudo o que está vivo, porque, o que é uma palavra?
Ela vem analisar o que é vivido, para colocá-lo em relação ao que se tenha integrado na memória.

Vimos que não se podia confiar na memória e que, além disso, eram apenas elementos do passado, que ela não permitia reconhecer a verdade, ela permitia, unicamente, colocar em relação com coisas do passado que foram lidas, vividas, ouvidas, mas pouco importa, ela nos tira do que é vivido (ndr: Tudo isso faz referência às seis investigações que se encontram no site, na rubrica «Meditação e investigação», Sessão 1).

Talvez, você jamais tenha vivido um deslocamento da consciência, talvez, você o tenha vivido e colocou-o em uma caixa diferente.
De qualquer modo, você vive deslocamentos da consciência, ainda que apenas em seus sonhos.

Q: Eu não sonho.

Air: Você jamais sonhou em sua vida?

Q: Sim, mas eu não me lembro.

Air: Pouco importa, a questão não é...
Você vê, mais uma vez, o mental que vem destruir o que é vivido.
A questão não é: «Você se lembra disso?».
Lembrar-se disso é colocar em uma caixa de memória.
Você já sonhou uma vez em sua vida?

Q: Uma vez ou duas, sim.

Air: Aí está!
Naquele momento, o que aconteceu?
Você estava, efetivamente, projetada em outro mundo...

Q: Em um pássaro.

Air: Em outro corpo, mesmo!
Um pássaro!
Havia, efetivamente, um cenário, você estava colocada em algum lugar: no pássaro.
Onde estava sua consciência naquele momento?
No pássaro e em tudo, em toda a criação, uma vez que é sua consciência que tudo criou e ela colocou-se no pássaro para admirar sua criação.

Q: Bela visão.

Air: Portanto, você tem deslocamentos de consciência.
A consciência cola, também!
Mas ela gosta da experiência, ela gosta de vê-la desdobrar-se, portanto, a consciência pode voltar a colar alhures, da mesma maneira que ela pode colar – por exemplo – no papel de mãe ou de técnico de informática.
A um dado momento, basta ver como as pessoas apresentam-se de maneira natural (não prestando atenção para dizer algo que fique bem, em função do lugar em que se está), mas como, tradicionalmente, as pessoas apresentam-se: «eu me chamo Trucmuche...» (até certa idade dá-se a idade, depois, não se dá mais, mas não é porque não se é mais identificado à idade: somos, mas não se quer mais que isso seja visto) e, frequentemente, por trás, cola-se a profissão.

Portanto, o que eu sou é ligado à profissão que eu exerço.
Em todo caso, minha consciência está colada nisso.
É claro, eu não sou minha profissão, mas é, de qualquer forma, a primeira coisa que é dita.

A consciência, mesmo na personalidade, pode colar em diferentes lugares: se você tem dor em algum lugar, o que faz a consciência?
Ela ali vai ao fundo da caixa: «genial, uma experiência!», e você se diz: «Ai, eu tenho dor!», mas a consciência diz-se, genial, uma experiência, hop!
Se a consciência não vai colocar-se onde se encontra a dor, você não vive o sofrimento, uma vez que não há testemunho do sofrimento, da dor.
A sensação no corpo está ali, mas, se não há ninguém para observá-la, se não há ninguém para observá-la...

Q: Então, não se sente o sofrimento, não se sente a dor?

Air: Não.
Eu não sei se eu partilhei com vocês, mas, no período em que houve reconhecimento da consciência – no que me concerne dessa história – ao nível do corpo físico, eu fui parado certo tempo, porque eu tinha dores intensas no corpo, como se me esmagassem os ossos.
Eu não era, portanto, capaz de ir ao trabalho: eu estava, fisicamente, incapaz de carregar meu filho de dois anos.
Contudo, será que eu estava mal?
Absolutamente não.
Esse foi, mesmo, um período que – sob alguns aspectos – foi fabuloso, porque eu vivia, permanentemente, o fato de que minha consciência não estava colada nesse corpo e era, verdadeiramente, o «máximo» [kif.].
Era legal [chouette] vir no corpo, de tempos em tempos, e fazer: «Ai ai ai!», depois, voltar a sair, bem depressa.
Essa vivência não era, absolutamente, de modo algum, experimentada.

Depois, se a consciência vinha colar nesse corpo, efetivamente, aí, isso fazia: «Ai ai ai!».
Eu tinha que ir ao médico regularmente, para ter os prolongamentos da licença médica.
De fato, naquele momento, eu era obrigado a referir os lugares onde eu tinha dor, porque o médico perguntava-me onde eu estava nisso.
Aí, eu descia no corpo para descrever os sintomas: «tenho muita dor aí, isso me esmaga ali e por toda a parte no corpo».
Na última vez, eu chorei diante do médico, tanta dor eu tinha e, depois, eu disse a ele: «Não, mas não se inquiete, em dois minutos eu volto a sair do corpo e está solucionado!».
Efetivamente, foi o que eu fiz.
Eu voltei a tirar a consciência do corpo e acabou.

Para concluir a história: ao fim desse encontro – que foi o último nesse médico porque, depois, as dores desapareceram – o médico que, desde o início, registrava «fibromialgia» (uma vez que ele não sabia de onde isso vinha, apesar do monte de exames feitos no hospital, nos quais nada se encontrava, tudo estava normal, tudo ia bem!), então, no último encontro, ele anotou: «burn-out».
Eu lhe disse: «mas isso quer dizer o quê, burn-out?», e ele me responde: «é quando não há mais ninguém no interior».
Aí, eu disse: «Uau!» é, de qualquer forma, enorme!
Falamos da mesma coisa: de um ponto de vista médico, isso se chama burn-out e, de um ponto de vista espiritual, isso se chama Liberação, mas é similar.

Tudo isso para dizer que a consciência muda o tempo todo de lugar, mas, simplesmente, essas posições são tão habituais, mesmo se não estejamos tão habituados a vê-las, a reconhecê-las.
Diga-se que a consciência está colada ali onde você tem dor.
Se você tem dor no corpo: a consciência está colada no corpo.
Se seus pensamentos arrastam-na aos medos, você está colada em seus pensamentos.
Se seus pensamentos arrastam-na a raivas: você está colada em seus pensamentos.
E, depois, no emocional, mas, antes de tudo, em seus pensamentos.

Não procure o: «como parar o fato de que a consciência esteja colada ou como parar as dores».
Olhe, simplesmente: «eu estou colado ao nível do corpo».
E, mesmo se você não veja, você vê um sintoma e, isso, é genial, porque, quando a consciência descola-se (no início), que você reconhece a consciência, mas, eu diria, que ela pode voltar a colar, novamente, mesmo se, naquele momento, ela não tenha mais a mesma força.
Ela pode voltar a colar, novamente.

Em todo caso, há uma espécie de consciência que se descola e «hop», ela volta a colar.
Mas, naquele momento, como você viveu com a consciência descolada, você viveu na leveza.
Toda a energia, toda a força utilizada para manter a ilusão de um «eu» desaparece.
Toda essa energia vem no Interior, mas não a reconhecemos, mesmo, tanto que é normal.

No momento em que a consciência descola, a primeira coisa é: «ouf!» e, depois, quando ela vem colar novamente, você a reconhece, imediatamente, porque, antes disso, era tolerável viver com a consciência colada, mas, uma vez que você tenha vivido o descolamento, deixar a consciência voltar a colar torna-se intolerável.
Isso quer dizer que os sofrimentos, a fadiga e a complexidade que tudo isso gera é intolerável.

Naquele momento, efetivamente, você pode dizer-se: «ah, é intolerável... lá vamos nós de novo...».
Você cola!
Mas você pode, simplesmente, dizer-se: «Ok, a consciência voltou a colar» e sim, aí está claro, todos os faróis giratórios, os avisos luminosos por toda a parte, o alarme!
Ok, tudo está colado e, de repente, você pode, talvez, tentar descolar-se e, depois, você se lembra, muito rapidamente, que não, não se pode descolar, pode-se, apenas, deixar-se tomar.
Você pode levar à coerência, a constatar tudo isso, mas o descolamento: é o fato de deixar-se tomar.

Isso me leva a partilhar outro aspecto disso que é que, enquanto não se tenha vivido a Liberação, o descolamento da consciência, dizemos que deve haver algo de complicado, deve haver esforços a fazer... isso parece inacessível, incompreensível, é a incompreensão total: «Isso parece ótimo, mas o que é que ele conta...».
Mas, quando você tenha vivido a Liberação, instantaneamente, você se diz: «mas não havia mesmo nada, como eu pude acreditar nessa história tanto tempo?».
Você está na incompreensão total, mas invertida.

É tão simples que você não compreende que isso possa parecer complicado, ou seja, que a incompreensão que você tem em face da Liberação é a mesma incompreensão que aquela que aparece vista da Liberação em face da ilusão.
E, mesmo se você tenha estado sujeito à ilusão, como o tempo não existe, você não sabe, mesmo, se esteve sujeito à ilusão.

A dificuldade para as pessoas liberadas que testemunham é como testemunhar essa simplicidade, como testemunhar essa evidência que sempre esteve aí, enquanto cada palavra pronunciada é transformada, instantaneamente, pelo mental, em uma coisa complicada.

Então, repete-se, sem parar, a mesma coisa, com palavras diferentes, porque, o que é que vocês querem que se diga mais?
É super simples!

Eu fiquei em meu sofá durante um longo momento, eu estava ali: «é uma loucura essa coisa, é tão simples, mas por que ninguém jamais me disse que era tão simples? Por que os Liberados não nos disseram, jamais, que era tão simples?»
E eu percebi, depois, que eles não paravam de dizê-lo, mas que, de fato, assim que eles diziam a palavra «simples», dizíamos: «oh la la! Isso parece complicado».




Proposto por Air.
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